José Pontes Correia entrou na empresa em 1982 tendo passado por diversas áreas.
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O ex-diretor de Material Circulante da CP, José Pontes Correia, disse esta quarta-feira no parlamento continuar a aguardar resposta por parte da empresa para a sua exoneração ter sido justificada com o facto "de não cumprir objetivos".
José Pontes Correia, que falava na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, por requerimentos do CDS-PP e do PSD tendo em conta a sua exoneração em dezembro passado, começou por explicou estar orgulhoso dos 37 anos de trabalho que tem vindo a desenvolver no setor da ferrovia, salientando que a segurança é premissa naquela empresa.
"Posso afirmar com convicção e certeza que o transporte ferroviário sempre teve como primeira premissa a segurança, cultura essa que perdura e que é passada ao longo de gerações de ferroviários", afirmou José Pontes Correia.
Segundo o responsável, que entrou na empresa em 1982 tendo passado por diversas áreas, foi exonerado de funções em 06 de dezembro de 2018 pelo conselho de administração da empresa, mas só em 17 de dezembro, através de comunicado de imprensa, conheceu as razões apontadas.
"No comunicado que a CP divulgou fiquei a saber, e passo a citar: 'importa salientar que a exoneração do diretor de material circulante da CP não tem qualquer ligação com tal decisão - por discordar do aumento do ciclo de manutenção das unidades UTE2240 -, mas, tão somente, com a não verificação de condições objetivas para o exercício da função'. Continuo a aguardar que, a qualquer momento, apareça a justificação de quais foram as condições objetivas que eu não reunia para continuar no exercício da função", disse.
Aos deputados, José Pontes Correia elencou algumas razões pelas quais considera ter sido afastado do cargo, nomeadamente o facto de não ter concordado com o aumento em 10% do ciclo de manutenção das unidades triplas elétricas (UTE), sem um documento técnico que atestasse que era possível fazer em segurança.
De acordo com o ex-diretor, o primeiro caso que aponta ter contado para a sua exoneração foi de que "teria conduzido mal o processo em relação à Siemens criando dificuldades ao concelho de administração".
A segunda situação tinha a ver com pagamentos à EMEF (Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário), situação esta que vem desde 2014, tendo o responsável afirmado: "fui diretor de material entre junho de 2017 e dezembro de 2018, mas tudo bem".
"Nunca aceitei devolver as garantias bancárias de 11 milhões à Siemens, mas só uma parte, o que corresponderia mais ou menos a metade, no entanto, depois de alguma luta da minha parte, a Medway (Transportes e Logística, originalmente denominada de CP Carga) aceitou aquilo que desde o princípio não defendera e ambas aceitaram tudo", adiantou.
O responsável acrescentou ainda que a terceira razão foi "não ter aceitado que mudassem para mais 10% o ciclo de manutenção das unidades triplas elétricas (UTE), que de um milhão e 700 mil quilómetros fizessem mais 100 mil quilómetros antes da manutenção".
José Pontes Correia frisou que as composições, que fazem "mais ou menos 20 mil quilómetros por mês", andariam cerca de cinco meses mais, e que só aceitaria a alteração do prazo com "um documento técnico que garantisse que estavam reunidas todas as condições de segurança".
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