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Investigadores destacam a vacinação sazonal e a resposta a SCL como os serviços com maior expressão, salientando o contributo da proximidade para complementar a resposta do SNS, evitar deslocações e reduzir emissões.
Quase meio milhão de situações clínicas ligeiras foram acompanhadas nas farmácias comunitárias em 2025, com 97,8% dos casos resolvidos, revela um estudo divulgado esta sexta-feira.
O "Estudo do Valor da Rede de Farmácias em Portugal", coordenado pelos investigadores da faculdade de Economia e Gestão da Universidade Nova (Nova SBE), Pedro Brinca e João Duarte, estima que em 2025 tenham sido registados cerca de 477 mil atos no âmbito do serviço de gestão de Situações Clínicas Ligeiras (SCL), mais 146% face a 2024, com apenas 2,2% dos casos encaminhados para consulta médica, evidenciando o potencial para reduzir a pressão sobre as urgências e a Linha SNS24.
Perante sintomas ligeiros, 57,2% dos portugueses recorrem primeiro à farmácia, enquanto 16,5% optam pelos centros de saúde e 12,1% pela Linha SNS24, um padrão transversal a todas as regiões e faixas etárias, refere o estudo que será apresentado esta sexta-feira no 15.º Congresso das Farmácias, em Lisboa.
O estudo aponta as infeções urinárias e as infeções agudas orofaríngeas como exemplos de patologias frequentes que podem beneficiar de gestão em proximidade. No ano passado, estas situações representaram, respetivamente, 4.218 e 34.250 atendimentos nas farmácias.
Os investigadores destacam a vacinação sazonal e a resposta a SCL como os serviços com maior expressão, salientando o contributo da proximidade para complementar a resposta do SNS, evitar deslocações e reduzir emissões.
Em 2024/25, os serviços prestados pelas farmácias evitaram mais de 1.500 toneladas de emissões de dióxido de carbono, sobretudo pela redução de deslocações às unidades do SNS. A estes resultados soma-se o contributo do sistema Valormed, que recolheu 1.262 toneladas de resíduos de medicamentos e embalagens, evitando mais 436 toneladas de CO2.
No ano passado, as 2.920 farmácias e cerca de 200 postos farmacêuticos existentes no país registaram 174,3 milhões de atendimentos, mais de 550 mil por dia útil, sendo o principal ponto de contacto com o sistema de saúde para muitas pessoas.
Segundo o estudo da Nova SBE e da Associação Nacional de Farmácias (ANF), 82% dos portugueses vivem a menos de cinco quilómetros de uma farmácia (41% deslocam-se a pé), enquanto 53% residem à mesma distância de um centro de saúde e apenas 13,7% de um hospital.
Em comunicado, os promotores do estudo afirmam que, "além do impacto na saúde, o setor tem um contributo relevante para a economia nacional e é fator de desenvolvimento dos territórios, particularmente no interior", tendo contribuído para reduzir a despesa do Serviço Nacional de Saúde.
Entre os serviços analisados, destaca-se a vacinação sazonal, com uma poupança líquida estimada de cerca de 34 milhões de euros anualmente, e a dispensa de medicamentos hospitalares em proximidade, com cerca de cinco milhões de euros.
O impacto económico total da atividade foi estimado em 3.230 milhões de euros de PIB, o equivalente a 1,12% do PIB nacional.
As farmácias comunitárias são responsáveis diretamente por 21.632 postos de trabalho, com maior peso no interior do país. Cada emprego nas farmácias cria mais 1,45 empregos na restante economia".
Em 2024, o setor gerou cerca de 3.985 milhões de euros em volume de negócios, "numa escala comparável à da Autoeuropa, mas que ao invés de concentrada num único território se encontra distribuída por micro e pequenas empresas presentes nos 308 concelhos do país e ilhas", salienta.
Segundo a análise 'Input-Output' do INE, o setor é responsável por 2.496 milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto e por 53 mil empregos sustentados em todo o país.
"Por cada euro de produção gerado pelas farmácias, são criados 3,21 euros de produção total na economia portuguesa", salienta, acrescentando que "o impacto fiscal anual ascende a 1.214 milhões de euros em receitas para o Estado, através de IVA, IRS, Segurança Social e IRC, valor equivalente a 7,8% do orçamento do SNS em 2024".
Para a presidente da ANF, Ema Paulino, o estudo "evidencia o potencial estratégico das farmácias, pela sua capilaridade, proximidade e confiança junto das populações, reforçando o seu papel como agente de coesão territorial e valorização dos territórios e parceiro do SNS numa resposta em saúde mais eficiente e próxima dos cidadãos".
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