A greve de professores registou esta quarta-feira uma adesão de 94%, com centenas de escolas encerradas por todo o País, garante a Plataforma Sindical de Professores que afirma também que este é já o maior protesto de sempre do sector. O ministério da Educação, por sua vez, refere que a participação na greve foi de 61%. <br/>
'É a maior greve de sempre dos professores em Portugal', disse ao final da tarde de hoje, em conferência de imprensa, o porta-voz da Plataforma Sindical dos Professores, Mário Nogueira.
Os números avançados pelos sindicatos divergem, no entanto, dos apresentados pelo ministério da Educação, que avança que a greve dos professores registou hoje uma adesão de 61 por cento, obrigando ao encerramento de 30 por cento das escolas do país.
Esta tarde Mário Nogueira já avançava uma previsão de que esta seroa a maior paralisação de sempre. 'Este é um dia que vai ficar na história dos professores portugueses que estão a fazer a maior greve de sempre, com adesões entre os 90 e os 100 por cento. Há concelhos inteiros onde a adesão é total', disse o porta-voz da plataforma sindical, ao final da manhã, num primeiro balanço do protesto.
Nogueira disse sentir 'orgulho por dar voz ao protesto dos professores' e assegurou que 'se o governo não recuar as lutas previstas vão continuar'. 'Precisamos de sinais do Governo suficientemente fortes para que isso não aconteça', disse.
Já o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, garantiu que 'a esmagadora maioria das escolas está a funcionar', declaração que suscitou uma reacção violenta de Mário Nogueira. 'É uma pouca vergonha', desabafou o líder sindical, à porta da Escola Marquesa de Alorna, em Lisboa, onde apenas uma professora deu aulas. 'Vou para casa jogar computador, devia haver mais greves', dizia um aluno, visivelmente satisfeito.
Durante a manhã, Mário Nogueira esteve na Escola Secundária Gil Vicente, na Graça, em Lisboa. Neste estabelecimento de ensino a adesão à paralisação foi de 92 por cento. 'Somos tão insuspeitos que até escolhemos a escola com menor adesão', ironizou. O secretário-geral da Fenprof reiterou que 'a disponibilidade dos sindicatos para negociar é completa', salientando que o Governo 'tem de compreender que a quase totalidade dos professores é contra o sistema de avaliação que o executivo quer aplicar. 'O Governo vai ter de tirar consequências políticas”, frisou.
João Cortes, presidente do conselho executivo da Escola Secundária Gil Vicente justificou o fecho deste estabelecimento de ensino com “a falta de condições para ter os alunos em segurança sem aulas”, assinalando que “a segurança é uma questão prioritária”. Segundo este responsável, era suposto estarem na escola 47 professores no turno da manhã, mas só apareceram quatro.
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