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Fraternidade São Pio X interpõe recurso no Vaticano após série de excomunhões

Fraternidade Sacerdotal São Pio X ordenou quatro novos bispos sem autorização do Papa.

15 de julho de 2026 às 19:20

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X interpôs um recurso junto do Dicastério para a Doutrina da Fé do Vaticano, depois da excomunhão de seis bispos, na sequência da ordenação de quatro bispos sem autorização do Papa.

No início deste mês, o Vaticano confirmou a excomunhão dos quatro novos bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, conhecidos como "lefebvrianos", eleitos sem a permissão papal, tendo também excomungado os dois consagrantes, o espanhol Alfonso de Galarreta e o suíço Bernard Fellay, "por terem cometido um ato de natureza cismática através da consagração episcopal de quatro sacerdotes sem mandato papal".

Na ocasião, o superior-geral da Fraternidade, Davide Pagliarani, classificou como "injustas e inválidas" as excomunhões de membros da congregação ultraconservadora, na sequência da ordenação de quatro bispos sem autorização do Papa.

Numa carta dirigida ao Papa Leão XIV e divulgada pela Fraternidade, sediada em Écône, na Suíça, Pagliarani afirmou que as sanções impostas pelo Vaticano evidenciam "o contexto extremamente trágico em que se encontra a Igreja universal".

Agora, em comunicado, a Fraternidade anunciou ter "apresentado, a 11 de julho, um recurso preliminar junto desse mesmo Dicastério", em conformidade com o direito canónico.

"Este passo, que constitui o pré-requisito necessário antes da eventual interposição de um recurso hierárquico, tem por efeito suspender a execução do decreto" que determina a excomunhão dos bispos, indicou a congregação, que disse pretender "exercer o direito que a Igreja reconhece a qualquer pessoa que se considere lesada por um ato administrativo de solicitar a retificação, num espírito de respeito pela autoridade eclesiástica e de fiel apego à justiça, à verdade e ao bem da Igreja".

A Fraternidade São Pio X foi fundada em 1970, em Friburgo, na Suíça, pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, em oposição às reformas introduzidas pelo Concílio Vaticano II (1962-1965), que transformaram profundamente a Igreja Católica, defendendo um modelo de sociedade tradicionalmente patriarcal e um ideal de Estado teocrático.

Em 1988, João Paulo II excomungou Lefebvre e os quatro bispos que este ordenou sem autorização pontifícia, sanções que viriam a ser levantadas em 2009 por Bento XVI, num espírito "de reconciliação".

Nos últimos anos, as divergências entre a Fraternidade e o Vaticano intensificaram-se durante o pontificado do papa Francisco, sobretudo após a publicação do documento "Traditionis Custodes", que restringiu a celebração da missa segundo o rito tridentino, medida fortemente contestada pelos setores tradicionalistas.

De acordo com a própria congregação, a Fraternidade São Pio X está presente em mais de 60 países, contando com 733 sacerdotes, 250 religiosas, 145 monges, 264 seminaristas e cerca de 500 mil fiéis.

Embora influente em certos círculos conservadores, a Fraternidade continua a ser uma minoria dentro da Igreja Católica, que conta com cerca de 1,3 mil milhões de fiéis.

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