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Correio da Manhã

Sociedade
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Fungos perigosos nas praias do Sul do País

Estudo identifica espécies que causam infeções e alergias “muito graves” nas praias do Algarve e da região de Lisboa e Vale do Tejo.
Miguel Balança 2 de Fevereiro de 2020 às 01:30
Os fungos devem ser tidos em conta na avaliação das praias
Banhistas ignoram a ameaça
Os fungos devem ser tidos em conta na avaliação das praias
Banhistas ignoram a ameaça
Os fungos devem ser tidos em conta na avaliação das praias
Banhistas ignoram a ameaça
Um estudo do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) identificou fungos altamente perigosos para a saúde humana nas praias da região de Lisboa e do Algarve.

A investigação que integra o último boletim epidemiológico do INSA permitiu confirmar a presença de "espécies com expressão clínica, que representam um potencial risco para a saúde dos utilizadores das praias e que deve passar a ser tido em conta na avaliação da qualidade da praia".

As conclusões têm por base amostras recolhidas entre novembro de 2018 e julho do ano passado, em três zonas balneares: na costa do Algarve, em local não identificado, numa praia costeira da região de Lisboa e Vale do Tejo, tal como numa zona de águas de transição (na proximidade da foz de um rio), na mesma região. A análise e tratamento de 18 amostras de areia e igual número de amostras de água permitiram isolar "diversas espécies, algumas das quais responsáveis por causar infeções e alergias muito graves", sublinham os investigadores.

A invasão assume maior expressão, quer pelo número total de fungos, quer pela quantidade de espécies distintas, na zona balnear com águas de transição. É seguida pela praia na costa do Algarve e pela zona balnear, voltada ao Atlântico, na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Banhistas não têm noção do perigo
Os investigadores deixam o alerta: as autoridades devem tomar medidas "de forma a melhorar a qualidade das areias [...], uma vez que os banhistas passam a maioria do seu tempo na areia e não têm conhecimento dos microrganismos que aí habitam, o que faz com que não tenham consciência das doenças a que podem estar expostos quando visitam uma praia e consequentemente tomar medidas de higiene adequadas".

Qualidade da areia não é considerada
"Atualmente existe já legislação para a qualidade das águas balneares, contudo a qualidade das areias é um tema ainda não contemplado na avaliação da segurança da utilização pública das praias (costeiras ou fluviais)", alerta a equipa de investigadores portugueses.

PORMENORES
Contaminação por fezes
O trabalho do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge verificou "uma baixa frequência de Candida albicans, o que indica ausência de contaminação fecal nos locais em estudo", lê-se.

Espécies encontradas
Os isolados fúngicos detetados com maior frequência foram Cladosporium sp. (Algarve e zona de transição) e Sarocladium kiliense (praia costeira de Lisboa e Vale do Tejo). Foram ainda isoladas espécies responsáveis por causar alergias e infeções, além de fungos produtores de micotoxinas.
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