Entre os jovens, Portugal está muito próximo dos outros países analisados no estudo e também da média da OCDE.
Portugal regista níveis de literacia financeira próximos da média dos países do euro, mas as mulheres e os cidadãos com menores níveis de escolaridade e de rendimento estão abaixo desse patamar, indica um estudo do Banco de Portugal.
A análise "Um retrato da literacia financeira em Portugal", que integra a rubrica Políticas em Análise do Boletim Económico de março, esta segunda-feira divulgado, traça um retrato sobre os conhecimentos da população adulta, a partir do quarto inquérito à literacia financeira da população portuguesa de 2023, e dos jovens a partir dos 15 anos, com base nos resultados de um módulo opcional do estudo PISA 2022 da OCDE.
Entre os jovens, Portugal está muito próximo dos outros países analisados e também da média da OCDE, com 15,5% de alunos sem competências básicas de literacia financeira e apenas 6,6% dos alunos com competências de topo.
Dentro destes 15,5% de alunos sem competências básicas, 74% acredita que sabe gerir o seu dinheiro, o que parece mostrar um certo excesso de confiança por parte dos estudantes.
É logo a partir dos 15 anos que se coloca a questão de género, com apenas 5% das raparigas a mostrarem competências de topo, contra 8% dos rapazes.
Já as percentagens dos que não têm competências básicas são muito semelhantes entre géneros.
Outra característica que faz a diferença entre os jovens entrevistados é se são nativos ou filhos de pais imigrantes.
Os filhos de pais que nasceram no estrangeiro têm uma probabilidade muito maior de não ter competências básicas, e uma probabilidade muito menor de ter competências do topo.
Quando o nível de educação dos pais é maior, a probabilidade dos alunos terem competências de topo é também maior, e a probabilidade de terem menos competências básicas é muito menor.
Quanto aos resultados da população adulta, o estudo do Banco de Portugal mostra que apenas 54,8% responderam que pouparam dinheiro no ano anterior ao inquérito, o que é uma percentagem relativamente baixa em comparação com os outros países europeus.
Dentro deste subconjunto, perto de 60% não obteve nenhum retorno da sua poupança, tendo mantido o dinheiro numa conta à ordem ou mesmo em casa.
Já um terço aplicou a poupança, em instrumentos de muito baixo risco, ou seja, numa conta poupança, depósito a prazo ou em obrigações.
Apenas 7% recorreu a instrumentos de maior risco, em ações e fundos de investimento.
Para os autores do estudo, este comportamento da população portuguesa mostra alguma prudência em assuntos financeiros, mas também algumas limitações no conhecimento sobre os instrumentos financeiros existentes.
No indicador global de literacia financeira da OCDE, composto por três subindicadores de conhecimentos, comportamentos e atitudes financeiras, Portugal apresenta um nível em linha com a média da área do euro, exceto no indicador dos conhecimentos financeiros, o único em que está abaixo.
Entre os 16 países analisados, a Alemanha foi o que apresentou o melhor desempenho, e Itália o pior, com Portugal a posicionar-se cerca de 13 pontos percentuais abaixo da Alemanha e cerca de 10 pontos acima da Itália.
Nos indicadores dos comportamentos e nas atitudes, os portugueses estão ligeiramente acima da média, e nos conhecimentos, claramente abaixo, com uma diferença de 25 pontos percentuais em relação à Alemanha.
Também na população adulta existe um diferencial de género, com os homens a demonstrarem desempenhos superiores aos das mulheres.
Quanto à idade, os mais jovens e os mais velhos têm desempenhos inferiores aos da faixa etária entre os 30 e os 59 anos.
O estudo do Banco de Portugal é assinado por Hugo Reis, Sharmin Sazedj e Lara Wemans.
A literacia financeira é a capacidade de tomar decisões informadas sobre a gestão do dinheiro, com uma visão do longo prazo.
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