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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Governo apoia com 50 mil euros projetos contra mutilação genital

No primeiro concurso, criado em 2018, foram apoiados oito projetos.

04 de fevereiro de 2021 às 08:09

O Governo lançou esta quinta-feira uma linha financeira de 50 mil euros para apoiar as organizações da sociedade civil portuguesa com projetos de prevenção e combate à mutilação genital feminina (MGF).

A dois dias da data que assinala internacionalmente a "tolerância zero" contra uma prática que continua a pôr em risco, anualmente, três milhões de meninas e jovens em todo o mundo, a Secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade (SECI) decidiu "reforçar em 50 mil euros o financiamento de projetos no terreno na área da prevenção e do combate a práticas tradicionais nefastas, como a mutilação genital feminina", segundo um comunicado oficial.

No primeiro concurso, criado em 2018, foram apoiados oito projetos, das organizações Filhos e Amigos de Farim, Mulheres Sem Fronteiras, Associação para o Planeamento da Família (APF), AJPAS - Associação de Intervenção Comunitária, Desenvolvimento Social e de Saúde, União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), Associação Tibisco, Balodiren e Gentopia.

Dos projetos resultaram diversas ações de formação e sensibilização, um kit de abordagem à MGF para profissionais de saúde, uma aplicação informática para jovens, um grupo de jovens ativistas e um módulo sobre práticas tradicionais nefastas nos cursos de preparação para o parto.

Segundo o comunicado da SECI, os projetos apoiados "produziram resultados consistentes".

Com a renovação da linha financeira e apoio, o Governo pretende reconhecer o "impacto do trabalho das organizações da sociedade civil com ampla experiência no terreno".

O concurso abre na segunda-feira e as candidaturas estão abertas até 8 de março.

A mutilação genital feminina -- que consiste na retirada total ou parcial de partes genitais, com consequências físicas, psicológicas e sexuais graves, podendo até causar a morte -- ainda é uma prática comum em três dezenas de países, sobretudo africanos, estimando-se que ponha em risco três milhões de meninas e jovens todos os anos e que cerca de 200 milhões de mulheres e meninas tenham já sido submetidas à prática.

Estima-se que em Portugal vivam 6.500 mulheres excisadas, na maioria originárias da Guiné-Bissau.

SBR//RBF

Lusa/fim

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