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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Governo prevê acelerar limpeza de árvores derrubadas pelo mau tempo para conter risco de incêndios

Ainda na prevenção do risco de incêndios florestais, está prevista a "implementação célere" do Plano de Intervenção para a Floresta 2025-2050, aprovado no ano passado.

20 de fevereiro de 2026 às 19:51

O Governo pretende soluções "de intervenção imediata" na floresta para conter os riscos de incêndio, entre as quais um regime simplificado para acelerar a limpeza de árvores derrubadas na sequência do mau tempo.

Num documento com as linhas gerais do programa Portugal, Transformação, Resiliência e Recuperação (PTRR), aprovadas esta sexta-feira no Conselho de Ministros, em Lisboa, o Governo prevê soluções de intervenção imediata na floresta "para contenção de riscos subsequentes de incêndio, pragas/doenças e perda de valor económico".

As medidas preveem a "desobstrução urgente da rede viária florestal para garantir acesso e extração da madeira derrubada" e a aceleração da limpeza florestal em larga escala.

Para acelerar a limpeza florestal, o Governo conta com a aprovação de um regime simplificado, que consta de uma proposta de lei para facilitar a reabilitação em municípios afetados pela tempestade Kristin, já entregue no parlamento.

Este modelo simplificado para remoção de material lenhoso tombado e consequente redução da carga combustível conta com fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), acrescentou o Governo no documento.

Ainda na prevenção do risco de incêndios florestais, está prevista a "implementação célere" do Plano de Intervenção para a Floresta 2025-2050, aprovado no ano passado.

Entre as medidas destacadas no documento estão a promoção da "agregação e gestão da propriedade rústica florestal", o reforço do Programa Floresta Ativa, com incentivos simplificados à gestão em minifúndio, e um programa de apoio à redução da carga combustível através do pastoreio.

É destacada ainda a criação e financiamento de novos Condomínios de Aldeia, "para reduzir a continuidade de combustível junto aos agregados populacionais", e um programa de "sanidade florestal", para monitorização de pragas florestais e erradicação e controlo de espécies invasoras.

O documento não indica prazos para que estas medidas sejam concretizadas. A ação prevista no PTRR divide-se em três fases: curto prazo (até ao final do ano, focada na recuperação de populações e empresas afetadas), médio prazo (até 2029, fim da atual legislatura) e longo prazo (até 2034, fim da próxima legislatura).

No final do Conselho de Ministros, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou que o Governo quer aprovar a versão final do PTRR no início de abril e que o envelope financeiro só será definido após um período de auscultação nacional.

O PTRR foi criado pelo Governo para responder aos efeitos do mau tempo em Portugal que, desde 28 de janeiro, causou 18 mortes e centenas de feridos e desalojados.

O primeiro-ministro anunciou já ter pedido reuniões com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e com o chefe de Estado eleito, António José Seguro, além dos encontros já marcados com os partidos com assento parlamentar, na próxima quarta-feira.

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