A paralisação reflete o "descontentamento dos trabalhadores" face ao congelamento dos salários e ao bloqueio à negociação.
A greve dos revisores e dos trabalhadores de bilheteiras da CP, a Sul de Pombal, encerrou entre 85% a 90% das bilheteiras, indicou o Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI) à Lusa.
"Esta greve abrangeu os trabalhadores a Sul de Pombal. Temos ideia de que cerca de 85% a 90% das bilheteiras estão encerradas hoje", adiantou o dirigente do SFRCI, Luís Bravo, em declarações à Lusa.
A paralisação, que começou a ter efeitos ao final da tarde de sábado, está assim a ter uma "adesão muito vasta" dos trabalhadores da revisão, bilheteiras e chefias diretas, defendeu a estrutura sindical, acrescentando que isto reflete o "descontentamento dos trabalhadores" face ao congelamento dos salários e ao bloqueio à negociação.
Luís Bravo disse ainda que, até ao momento, os trabalhadores não receberam qualquer resposta por parte da CP - Comboios de Portugal, sublinhando que um terço dos trabalhadores da empresa foi esquecido pela Administração e pela tutela.
"A empresa estava em processo de fusão, entre a EMEF [Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário] e a CP. [Os membros] desta Administração são quase todos oriundos da CP (oficinas) o que condicionou muito as negociações em curso, esquecendo os trabalhadores da área comercial e da revisão de comboios", acrescentou.
Na quinta-feira, Luís Bravo lamentou que o setor ainda não tenha recebido a atualização de 0,9%, aprovada para a função pública, que classificou como "miserável", representando entre cerca de cinco e nove euros, consoante o escalão.
De acordo com o sindicato, para isso, a Administração da CP "impõe" a subscrição de um novo acordo de empresa, "com piores condições de trabalho".
"Os trabalhadores dos transportes, afetos aos comboios e às bilheteiras, que começam o seu turno às cinco, seis ou sete da manhã e que se retiram depois da meia-noite, têm que se deslocar em viaturas próprias e, com o aumento dos combustíveis, neste momento, cerca de 20% do seu salário já vai só para se fazerem deslocar para o trabalho", apontou.
A isto somam-se os turnos de trabalho e as folgas rotativas e um "aumento brutal do custo de vida", fatores que têm levado até os trabalhadores mais novos a pedir rescisão da empresa.
Para o dia 23 de junho está também agendada uma greve de 24 horas para os trabalhadores ferroviários operacionais, a norte de Pombal.
A CP já alertou que a circulação de comboios da empresa deverá ter perturbações "significativas nos dias 12, 13 e 16 de junho devido à greve.
A empresa referiu que aos clientes que já tenham adquirido bilhete para viajar em comboios dos serviços Alfa Pendular, Intercidades, Interregional e Regional, será permitido o reembolso no valor total do bilhete adquirido, ou a sua revalidação, sem custos.
Desde o início do mês tem estado a decorrer uma greve dos trabalhadores da CP ao trabalho extraordinário e aos feriados, que se prolonga até ao final do mês, mas não provocou supressões, indicou à Lusa, em 03 de junho, fonte oficial da empresa.
Em 16 de maio, a CP anunciou que chegou a um acordo com 12 sindicatos, para revisão do Acordo de Empresa, ficando de fora três estruturas sindicais.
Do acordo alcançado resultou o aumento salarial de 0,9%, com efeitos retroativos em 01 de janeiro de 2022, a uniformização do subsídio de refeição para 7,74 euros e a integração dos trabalhadores da ex-EMEF na tabela salarial da CP, com efeitos retroativos ao primeiro dia do ano.
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