Casa de Bruno Cézar ainda aguarda por obras, que deverão avançar em setembro.
Seis meses após a passagem da tempestade ‘Kristin’, a habitação de Bruno Cézar, na Rua Paulo VI, em Leiria, continua com as marcas deixadas pela fúria do vento ciclónico, que fez tombar uma grua para cima do prédio, causando danos calculados em meio milhão de euros nos 30 apartamentos.
Bruno Cézar é dos moradores mais atingidos, pois a grua destruiu a cobertura de uma das varandas, a parede e as janelas daquele lado do prédio, para além do próprio telhado, que deixou entrar a água da chuva intensa que se fez sentir durante as semanas seguintes.
“Cheguei a ter dois dedos de água dentro de casa”, contou Bruno Cézar ao CM, adiantando que, apesar de o seu apartamento ser o que está “mais destruído, há vizinhos que também têm bastantes prejuízos nas janelas, estores e por causa das infiltrações, porque na altura não tínhamos telhado”.
Naquela madrugada de 28 de janeiro, Bruno Cézar, a companheira e os três filhos, de cinco, 18 e 20 anos, estavam em casa, acordados, e ainda têm bem presente a violência da tempestade.
“Cada vez que o vento sopra com mais força, voltamos a ficar assustados”, conta ao CM, mas o que mais o entristece são as dificuldades - comuns aos vizinhos - em todo o processo, porque “os seguros estão um bocado lentos. Só há um mês recebi a resposta - vão pagar os danos exteriores, mas também há danos no interior da casa, ainda por indemnizar - e tenho vizinhos que ainda não têm resposta do seguro ou estão ainda a fazer as peritagens”.
“Ninguém veio aqui saber como estávamos, ninguém quis saber da gente para nada, a verdade foi essa”, desabafa. Ainda tentou os apoios do Estado, mas “a plataforma estava sempre a dar erro”. “Tentei quatro vezes e depois desisti.”
Apesar da falta de respostas, as obras deverão avançar em setembro e até lá Bruno Cézar tem de arranjar outro local para morar: “Não podemos estar em casa enquanto decorrerem as obras, o seguro diz para fazermos um arrendamento para esse período que eles depois devolvem o dinheiro, mas não é fácil nem barato.”
O concelho de Leiria foi dos mais afetados pela tempestade e a câmara municipal recebeu 10 671 candidaturas de proprietários a pedir apoio para a recuperação das habitações. Apenas menos de metade (4786) já têm as verbas atribuídas, havendo ainda 924 a aguardar pagamento e 7451 a ser analisadas, de acordo com os dados atualizados a 12 de julho. Foram recusadas 1741 candidaturas e 274 foram devolvidas ao remetente para aperfeiçoamento.
Os concelhos vizinhos da Marinha Grande e de Pombal receberam 3365 e 2483, respetivamente, pedidos de apoio para a recuperação e habitações próprias.
Freguesia de Bidoeira ainda tem ruas sem eletricidade após tempestades
A freguesia de Bidoeira de Cima foi das últimas no concelho de Leiria a voltar a dispor de energia elétrica e de comunicações, mas apenas nas habitações e nas empresas, porque a iluminação pública ainda não foi reposta em várias ruas e em pelo menos duas ciclovias.
“Esta situação é grave demais e não vemos ninguém da E-Redes no terreno a fazer as reparações em falta”, disse ao CM Tiago Santos, presidente da Junta de Freguesia da Bidoeira de Cima, adiantando que “também falta retirar os cabos e os postes que se partiram”.
O autarca receia ainda que possa haver cabos em carga espalhados pelo chão, na beira das estradas ou nos pinhais, o que constitui um perigo para quem lhes tocar, pois pode correr risco de vida.
A freguesia teve de esperar três meses até voltar a acender as lâmpadas das casas e das empresas, mas nas ruas a demora está ainda a ser mais longa e sem fim à vista.
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