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Correio da Manhã

Sociedade
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Há 500 anões a viver em Portugal

Não vão além de 1,40 metros, mas enfrentam os desafios com humor
11 de Agosto de 2013 às 01:00
‘Tó’ Dias, como é conhecido na Baixa de Lisboa, sofre de raquitismo. Apesar dos seus 1,33 m, o reformado vive sem complexos
‘Tó’ Dias, como é conhecido na Baixa de Lisboa, sofre de raquitismo. Apesar dos seus 1,33 m, o reformado vive sem complexos FOTO: Helena Poncini

Diz o ditado popular que quem não tem cão caça com gato. Sem complexos, os anões ou os indivíduos com estatura mais baixa recorrem frequentemente a escadotes ou cadeiras para lavar as mãos ou chegar a um armário. Na rua é mais difícil. Os multibancos, parquímetros ou balcões de pastelarias são os principais inimigos.

Uma em 25 mil pessoas sofre de nanismo em todo o Mundo. Em Portugal, estima-se que vivam cerca de 500 anões. Uma alteração genética impede-os de crescer além dos 1,40 metros. Com alongamento dos ossos podem chegar aos 1,50 metros.

"Costumo dizer que as pessoas se adaptam sempre às falhas que têm. Os anões utilizam cadeiras e escadinhas em casa. Contudo, se vão comprar alguma coisa ninguém os consegue ver", explica ao CM Delfim Tavares, chefe do serviço de Ortopedia Infantil do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa.

O nanismo é um doença que se desenvolve nos primeiros dias de vida. A baixa estatura é também característica de outra doença: o raquitismo, doença que atinge a parte do tecido ósseo e que também ocorre durante o crescimento.

Quem passa por ele na Baixa lisboeta não fica indiferente. Mede 1,33 metros, mas muitos mais metros em autoconfiança. António Dias, ou ‘Tó’ como é conhecido, de 60 anos, sofre de raquitismo. Diz que nunca sentiu preconceito. "Sou uma pessoa saudável, tenho dois braços e duas pernas. Temos de aceitar quem somos. As crianças brincam comigo e é divertido, desde que não haja chacota", conta ao CM. 

VITAMINA D EM FALTA ORIGINA O RAQUITISMO

O raquitismo é um distúrbio causado pela falta de vitamina D, cálcio ou fosfato. Causa amolecimento e enfraquecimento dos ossos. Provoca diversas alterações, entre as quais nas pernas e na coluna vertebral, sendo comum que as crianças com raquitismo apresentem baixa estatura.

"A ADOLESCÊNCIA FOI MAIS COMPLICADA"

O meu caso: Simone Fragoso

É divertida, sem complexos e pequenina como a sardinha. Mede 1,01 metros. Simone Fragoso tem 32 anos e sofre de nanismo. É professora de música do ensino básico, mas é como nadadora paralímpica que é mais conhecida. São sete recordes nacionais e mais de 20 medalhas conquistadas. "Lido bem com a minha altura. A adolescência foi mais complicada, mas agora as coisas entram a cem e saem a mil. Sou independente e feliz. Faço tudo", conta ao CM. Simone não tem ninguém na família com nanismo e não quis seguir em frente com o tratamento para crescer na infância. 

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