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Habitações estiveram uma semana debaixo de água em Montemor-o-Velho

As sucessivas tempestades deixaram um rasto de destruição no distrito de Coimbra que ainda é visível.

28 de julho de 2026 às 01:30

A casa de José Pardal em Lavariz, Montemor-o-Velho, esteve uma semana debaixo de água, entre 12 e 18 de fevereiro, após o rebentamento dos diques do rio Mondego. “No rés do chão da habitação atingiu 1,73 metros de altura. Foi quase até ao tecto”, recorda o morador, que ficou com móveis e eletrodomésticos destruídos e as paredes danificadas. Seis meses após as cheias que afetaram a cidade de Coimbra e toda a zona do Baixo Mondego, José Pardal continua à espera de resposta relativamente à candidatura que apresentou. “Está tudo na mesma. Só está resolvida a parte do seguro, é a única ajuda que tenho. De resto, a nível estatal ninguém me disse nada, nem obtive nenhuma explicação”, lamenta.

José Pardal não foi totalmente apanhado de surpresa. Desde 2001 que sofre com a subida do nível da água, mas não esperava que os danos fossem tão elevados. Adotou inclusivamente medidas para minimizar os efeitos da cheia: “Com blocos e cavaletes subi todos os móveis e eletrodomésticos entre 80 e 90 centímetros.” Contudo, a água deixou o rés do chão praticamente submerso, obrigando os moradores a permanecer fora da habitação, em casa de familiares, durante nove dias. “Foi uma amargura. Uma desgraça para mim e para os meus vizinhos.”

Helena Gonçalves viveu uma situação semelhante. “Ficou tudo debaixo de água: móveis, eletrodomésticos e máquinas agrícolas”, lembra. A sua habitação situa-se num plano superior à de José Pardal, tendo a água atingido 1,50 metros de altura. Tal como o vizinho, tinha colocado previamente os bens num ponto elevado, mas não conseguiu evitar a sua destruição. “Nunca pensei que subisse tanto”, recorda. A força da água foi tal e a subida do nível tão rápida que Helena Gonçalves e a família tiveram de ser retirados de casa de barco. “Nunca tivemos ninguém que dissesse para sairmos. Saímos às 03h30 com a ajuda dos bombeiros e dos Fuzileiros, que tiveram de saltar o portão e tirar-nos de barco”, conta. A casa da filha, ao lado da sua, também foi afetada, tal como a habitação de uma outra vizinha. Decorridos seis meses, esta habitante não recebeu qualquer apoio por entidades oficiais: “Fizemos a candidatura, mas passado este tempo ainda ninguém nos disse nada.” A família de Helena Gonçalves esteve três dias sem poder entrar em casa.

Os concelhos de Coimbra, Montemor-o-Velho, Soure e Figueira da Foz foram os mais afetados pelas cheias, na sequência do comboio de tempestades. Desde inundações de casas e empresas, estradas e parques submersos, até várias derrocadas. Os prejuízos são elevados. Segundo dados da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, na zona de Coimbra foram apresentadas 647 candidaturas relativas a pedidos de apoio para recuperação de habitações, das quais 518 já tiveram uma decisão.

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