Constante ligação aos ecrãs e a proliferação de métodos de comunicação "estão a conduzir a dias de trabalho intermináveis com interrupções constantes", alertam especialistas.
A constante ligação aos ecrãs e a proliferação de métodos de comunicação estão a conduzir a dias de trabalho intermináveis com interrupções constantes, com graves consequências para a saúde mental e física, alertam especialistas e vários estudos recentes.
De acordo com um relatório global recente da Microsoft, que mediu a utilização de ferramentas digitais por 31.000 "trabalhadores do conhecimento" em 31 países, "o funcionário médio recebe agora 117 e-mails e 153 mensagens do Teams por dia".
Durante o horário de trabalho, os colaboradores "são interrompidos em média a cada dois minutos --- 275 vezes por dia --- por reuniões, e-mails ou notificações de chat", de acordo com este estudo, baseado em "sinais de produtividade agregados e anonimizados do Microsoft 365" da gigante norte-americana do software.
A hiperconectividade prolonga significativamente o horário de trabalho e a empresa refere que "40% dos colaboradores verificam os seus e-mails antes das 06:00" e que, para além dos picos de atividade observados anteriormente de manhã e ao início da tarde, se observa um outro pico à noite, com 29% dos colaboradores a verificar os seus e-mails por volta das 22:00.
Em França, 65% dos colaboradores afirmam ser viciados em ecrãs, e a empresa está a tomar medidas para limitar a ligação de apenas 16% deles, de acordo com um estudo realizado pela Viavoice para a consultora de prevenção de saúde Verbateam.
Três quartos das mil pessoas entrevistadas para este estudo também referem ter "já experienciado efeitos negativos relacionados com o uso digital", incluindo distúrbios do sono (76%), dificuldade de concentração (77%), sensação de pressão constante (78%) ou "stress e ansiedade face às exigências digitais".
"Não só estamos a ver este fenómeno a piorar, como também há uma tendência bastante surpreendente para banalizar, e até mesmo valorizar, esta hiperconectividade nos negócios", vincou Flore Serré, CEO da Verbateam, à agência France-Presse (AFP).
"Há realmente uma prática que se está a tornar viciante", sublinhou a responsável, definindo o vício como "uma necessidade compulsiva, uso crónico e, acima de tudo, uma perda de controlo".
"As empresas de serviços são muito mais impactadas do que as empresas com turnos de 3x8", observou Isabelle Tarty, presidente da Federação Francesa de Trabalhadores em Risco Psicossocial (FIRPS).
Tarty acrescentou que já conheceu até motoristas de autocarros e de metro "que começam a ter de lidar com e-mails depois do trabalho".
"Ao contrário da crença popular, não são as gerações mais jovens as mais afetadas" pela hiperconectividade, segundo Flore Serré, mas "a faixa etária intermédia, entre os 35 e os 45 anos", enquanto "os jovens, em última análise, têm um pouco mais de perspetiva".
O direito à desconexão está longe de ser sempre efetivo, apesar dos estatutos assinados no seio das empresas.
De acordo com o último inquérito publicado na segunda-feira pelo Sindicato dos Gestores e Técnicos da CGT francesa (UGICT), 67% dos gestores "gostariam de ter um direito efetivo à desconexão para proteger a sua privacidade e saúde", uma proporção 11 pontos percentuais superior em relação a 2016.
Independentemente da situação dentro da empresa, os colaboradores "têm o direito de não ser contactados fora do horário de trabalho, independentemente da existência de um acordo", sublinhou Pauline Mureau, advogada de direito do trabalho da Voltaire Avocats.
"Mas os períodos de descanso nem sempre são respeitados, o que leva a disputas significativas com riscos significativos para os empregadores", segundo a advogada.
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