Parte dos idosos em instituições de longa duração apresenta elevados níveis de recursos psicológicos e de bem-estar.
Investigadores identificaram quatro perfis psicológicos associados à ideação suicida em idosos residentes em lares, com base num estudo realizado com 231 pessoas com idades entre os 60 e os 97 anos, provenientes de nove instituições diferentes.
O estudo, conduzido pelo grupo de investigação "BestAging-Psychosocial Intervention in Aging and Care Throughout the Lifespan" ("Intervenção Psicossocial no Envelhecimento e Cuidados ao Longo da Vida") da Universidade de Valência (UV) e publicado na revista 'Frontiers in Psychology', analisou tanto os fatores de risco como os de proteção psicológicos.
Os resultados reforçaram a importância de se adotar uma abordagem abrangente para a prevenção do suicídio em idosos, que considere não apenas a presença de sintomas clínicos, mas também fatores psicossociais e existenciais que atuam como elementos de risco ou de proteção, segundo comunicado da UV.
Este estudo forneceu evidência científica relevante para o desenvolvimento de estratégias preventivas mais adequadas à realidade dos idosos e realça a necessidade de intervenções multidimensionais que promovam o bem-estar psicológico e reduzam os fatores de risco nesta fase da vida.
A metodologia empregue foi a análise de perfis latentes, que permite a identificação de padrões psicológicos distintos, em vez da análise de variáveis isoladas.
"O estudo identifica quatro perfis distintos e dá especial atenção a dois perfis intermédios que podem ser negligenciados se a avaliação se centrar apenas na presença de sintomas clínicos", destacou Alicia Sales, docente e investigadora do Departamento de Psicologia do Desenvolvimento e da Educação da UV.
Especificamente, os investigadores identificaram um perfil de alto risco, um perfil caracterizado por uma elevada perceção de sobrecarga, um perfil com pontos fortes pessoais enfraquecidos e um perfil de funcionamento ótimo ou saudável.
Para além do perfil de alto risco, o estudo centrou-se em dois perfis intermédios particularmente relevantes do ponto de vista preventivo: indivíduos com poucos sintomas emocionais, mas com elevada perceção de sobrecarga, e indivíduos com poucos sintomas clínicos, mas com recursos de proteção enfraquecidos, como baixo sentido de propósito ou resiliência.
Ambos os perfis apresentam níveis significativos de ideação suicida (diferenças que persistiram mesmo após o controlo de variáveis como a idade, o sexo e a perceção de saúde), o que reforça a importância de estratégias de prevenção seletivas, mais adequadas às características psicológicas de cada indivíduo.
Além disso, o perfil de funcionamento ideal, que representa aproximadamente 50% da amostra, desafia noções preconceituosas em relação à idade, que associam a institucionalização ao declínio generalizado.
Este perfil demonstra que uma parte dos idosos em instituições de longa duração apresenta elevados níveis de recursos psicológicos e de bem-estar.
A investigação, que contou também com a participação da Universidade Europeia de Valência, analisou variáveis como a depressão, a desconsolação e a sobrecarga percebida através de entrevistas, juntamente com fatores protetores como a resiliência, a autoeficácia e o sentido de propósito.
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