A sustentabilidade é uma das apostas da empresa.
A Ikea Portugal vai investir 3,3 milhões de euros na redução de preços de cerca de 220 produtos a partir de terça-feira, disse hoje a diretora comercial da subsidiária portuguesa, Michaela Quinlan, à Lusa.
"Este ano continuamos com as nossas áreas de foco: preços acessíveis, sustentabilidade e acessibilidade", disse a responsável, salientando que a empresa vai continuar o investimento na redução de preços tal como no ano passado.
A Ikea Portugal vai investir "3,3 milhões de euros" na redução de preços de "220 referências", disse Michaela Quilan, referindo tratar-se de "mais artigos que no ano passado" e que 47% desses 220 produtos "vão estar focados à volta da sustentabilidade".
A medida entra em vigor "amanhã [terça-feira]", acrescentou.
A sustentabilidade é uma das apostas da Ikea, que aponta que 90% dos portugueses afirma querer ter uma vida mais sustentável.
"Cerca de 30% [dos portugueses] dizem não estar certos em como ser mais sustentáveis e apenas 11% afirmam-se capazes de pagar mais" para uma vida sustentável, acrescentou, considerando que o período de confinamento levou os consumidores portugueses a preocuparem-se mais com "a sustentabilidade".
No ano fiscal começado em setembro e que termina este mês, a Ikea Portugal tinha anunciado um investimento de seis milhões de euros na redução de preços de 130 a 185 produtos.
Questionada sobre o balanço desta medida, Michaela Quilan salientou que no arranque o ano fiscal da Ikea - setembro de 2019 - "começou extremamente positivo" com aquele investimento.
"Estávamos a vender muitos produtos" que tinham sido alvo de redução de preço, "e depois a pandemia [de covid-19] aconteceu", prosseguiu, salientando que o ano fiscal ainda não terminou, pelo que ainda não há dados finais.
"Durante a pandemia fechámos cinco lojas", recordou.
"Mas até à pandemia, aqueles produtos [alvo de redução de preços] foram bem recebidos e o volume [vendido] demonstrou" a recetividade dos consumidores à baixa de preços, referiu a diretora comercial.
Sobre o impacto da pandemia na forma de trabalhar, Michaela Quinlan disse que apesar de terem fechado as lojas, o canal 'online' manteve-se opracional.
"Com as orientações de segurança do Governo fomos capazes de vender 'online', permitindo um ambiente de segurança para os nossos trabalhadores e colaboradores. Foi uma grande aprendizagem para nós, trabalhámos de uma forma muito ágil" e o negócio 'online' "foi bem-sucedido durante este período", acrescentou.
O interesse dos consumidores concentrou-se, neste período, em tudo o que dizia respeito à área de trabalho, escritório.
"Tivémos um enorme crescimento no espaço do trabalho", em que as pessoas procuravam soluções mais "funcionais" numa altura em que estavam em teletrabalho, prosseguiu.
"Claro que tivemos impacto com o fornecimento" na medida em que a pandemia atingia diferentes partes do mundo, apontou, com fábricas fechadas.
"Os fornecedores fecharam, os centros de distribuição fecharam", pelo que toda a cadeia foi afetada, a que acresceu uma maior procura de produtos ligados ao escritório, num volume mais elevado do que o habitual, explicou.
"Gradualmente, a situação está a voltar à capacidade normal, leva tempo, sei que os nossos clientes têm sido pacientes, mas claro com esta pandemia isso teve impacto" nos artigos disponíveis.
Sobre o negócio 'online', para o qual a empresa "melhorou o 'website'" - a diretora comercial referiu que a quota aumentou durante a pandemia, uma vez que as lojas físicas estavam encerradas.
"Como é que essa quota vai encerrar no final do ano" fiscal "não sabemos", mas será maior do que no ano passado, salientou.
A cadeia de mobiliário e decoração sueca vai ter uma nova aplicação (app) que vai permitir comprar diretamente 'online' de uma maneira mais simples.
A Ikea Portugal tem 15 pontos de recolha e tem uma parceria com os CTT para entrega de encomendas.
Sobre se pretende aumentar os pontos de recolha, a diretora comercial disse que sim, mas ainda está a analisar.
A Ikea tem ainda três estúdios de planificação em centros comerciais - Cascais Shopping, RioSul Shopping (Seixal) e Sintra Fórum - que "são bem-sucedidos", salientou.
Considerando que este "um ano desafiante", Michaela Quinlan afirmou que a Ikea aprendeu "muito" com o período da pandemia e está preparada para uma eventual segunda vaga.
"Foi um período de grande aprendizagem e podemos aplicar essas lições se tivermos outra vez" de fechar as lojas físicas ou haver restrições, "conhecemos o nosso negócio 'online'" que nos permitirá continuar "a servir os nossos clientes", salientou.
Sobre a possibilidade de abrir mais lojas em Portugal, a diretora comercial disse que agora o "mais importante é saber onde os clientes querem" que a Ikea esteja no próximo ano.
Relativamente a contratações, a responsável disse que a subsidiária portuguesa tem contratado pessoas durante o período do verão.
"Vamos encerrar o ano com cerca do mesmo número do ano passado: 2.500", acrescentou.
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