Maioria dos residentes estrangeiros no concelho são oriundos do Reino Unido e da Alemanha.
O número de estrangeiros residentes no concelho de Penamacor passou de 58, em 2008, para 440, em 2023, e esse crescimento representa uma inversão populacional que acontece pela primeira vez nos últimos 50 anos.
Os dados foram revelados pela Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa (CIMBB), no âmbito da primeira fase de um relatório elaborado pelo Instituto Politécnico de Castelo Branco sobre a caracterização da situação e dinâmica imigratória na região.
"Devido a este crescimento, a população real no território de Penamacor, em 2023, aumentou 49 habitantes, resultante de um saldo positivo migratório de 130 habitantes, em contrapartida de um saldo natural negativo de 81 habitantes", é referido pela Câmara de Penamacor, em comunicado enviado à agência Lusa.
Segundo o mesmo estudo, a maioria dos residentes estrangeiros no concelho são oriundos do Reino Unido e da Alemanha e vêm reconfigurar a dinâmica populacional numa zona que tem perdido população ao longo dos anos.
De acordo com o município de Penamacor, no distrito de Castelo Branco, o aumento da população "vem valorizar a estratégia de desenvolvimento do concelho, reforçando o crescimento da comunidade escolar dos últimos três anos".
Em março, o presidente da autarquia, António Beites, tinha adiantado à Lusa que os dados preliminares do estudo com vista a permitir conhecer, com maior profundidade, os estrangeiros residentes em Penamacor, indicavam que 18% representam a globalidade dos alunos do ensino pré-primário e primeiro ciclo.
Citado na nota emitida na sequência da apresentação da primeira fase no estudo, no dia 05, na Santa Casa da Misericórdia de Penamacor, António Beites salientou que "estas novas comunidades são muito bem-vindas ao território".
"Dom Sancho foi o povoador e esta nova comunidade está a recuperar o foral de Penamacor e a povoar novamente o território. Temos falta de mão de obra e eles fazem cá falta. É necessário, no entanto, que estejam bem integrados. Este estudo é necessário para conhecermos estes novos residentes, porque é que cá estão e porque é que continuam a vir mais", acrescentou o presidente da autarquia fronteiriça.
O relatório abrange os restantes municípios da Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa e indica que, na região, o recente movimento migratório reflete "tendências de crescimento que contrastam com a histórica dinâmica recessiva da região".
No período em análise, entre 2008 e 2023, o número de estrangeiros legalizados residentes na região passou de 1.856 para 6.786, o que representa um aumento de 266%.
Os autores destacaram que a imigração na área da CIMBB é "uma oportunidade para revitalizar a economia e combater o despovoamento, mas exige estratégias eficazes de inclusão, sendo que os desafios mais prementes incluem habitação, barreiras linguísticas e acesso a serviços públicos".
O crescimento da população estrangeira "tem sido exponencial, a ponto de inverter o decréscimo populacional praticamente em todos os municípios do território nestes últimos dois anos", acrescentou António Beites, também vice-presidente da CIMBB.
Em março, o autarca disse à Lusa que cerca de 70% dos imigrantes no concelho de Penamacor são britânicos e destacou a dinâmica que os novos residentes "estão a imprimir no concelho".
António Beites citou na ocasião os dados preliminares do inquérito para mencionar que os imigrantes representam mais de 10% da população residente no município.
A CIMBB integra os concelhos de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova, Sertã, Vila de Rei e Vila Velha de Ródão.
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