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Correio da Manhã

Sociedade
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INEM na Guiné-Bissau relata problemas na missão em curso

Sindicalista revela que os fatos de proteção estão a rasgar-se e os técnicos correm perigo de contaminação.
21 de Maio de 2015 às 15:05
A equipa do INEM na Guiné-Bissau é composta por um médico, dois enfermeiros e cinco técnicos
A equipa do INEM na Guiné-Bissau é composta por um médico, dois enfermeiros e cinco técnicos FOTO: João Santos
O presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Médica disse esta quinta-feira à agência Lusa que aquela estrutura foi informada, verbalmente, sobre problemas com os elementos do INEM da atual missão portuguesa na Guiné-Bissau, nomeadamente condições de habitabilidade e salariais.

"Fomos informados, verbalmente, que efetivamente há situações complicadas relativamente às condições de habitabilidade e outras condições que foram dadas aos elementos que estão na missão. Estamos a espera que nos envie as informações por escrito, pois só assim poderemos avançar com algum tipo de posição e tomar medidas", disse Ricardo Rocha.

A Guiné-Bissau possui desde março um laboratório instalado por Portugal e no qual especialistas do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e do Instituto Nacional de Saúde (INSA) Dr. Ricardo Jorge podem detetar o vírus Ébola a partir de amostras em cerca de cinco horas.

Até então, seria necessário recorrer ao estrangeiro com prazos mais longos, sob pena de a demora na análise comprometer o isolamento das cadeias de transmissão. De acordo com Ricardo Rocha, a equipa do INEM na Guiné-Bissau é composta por um médico, dois enfermeiros, cinco técnicos, que são trocados a cada cinco semanas.

Segundo o sindicalista, "a ser verdade todas as informações que nos chegaram, a situação é grave", sublinhando que o INEM já participou em outras missões no estrangeiro e nada de parecido se verificou. "O que me foi informado verbalmente é que o material EPI (equipamento de proteção individual) não é igual ao que foi mostrado em Lisboa e que os fatos de proteção estão efetivamente a rasgar-se, portanto com um risco elevado de contaminação das equipas que estão a usar este material", disse.

"Foi-nos comunicado pela equipa outras condições, como terem de lavar fardamento em bidés, terem de pagar a água que utilizam, as comunicações não estarem ainda estabelecidas para Portugal e os profissionais terem de pagar do próprio bolso, entre outros problemas" acrescentou.

Ricardo Rocha adiantou que "isto não é de todo aceitável, a ser verdade, e o sindicato lamenta a situação e, assim que tiver os relatos por escrito, irá pedir esclarecimentos ao conselho diretivo do INEM".

De acordo com elementos da equipa do INEM na Guiné-Bissau, ainda há problemas nos pagamentos de comissões extras, que seriam de 80 euros/dia, mas que agora não se sabe se receberão estes valores.

Contactado pela agência Lusa, o INEM ficou de verificar todas as alegações e comprometeu-se a divulgar um comentário logo que seja possível.
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