page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Investigadores descobrem que 'Homo erectus' já usava fogo há 1,8 milhões de anos

Novo estudo internacional conta com a participação de Filipe Natálio, investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

25 de junho de 2026 às 13:46

O 'Homo erectus' já usava o fogo de forma regular há quase 1,8 milhões de anos, revelou uma investigação esta quinta-feira divulgada, atualizando a cronologia do uso do fogo pelos hominídeos, que se situava em um milhão de anos.

Um novo estudo internacional, com a participação de Filipe Natálio, investigador da Unidade de Biociências Moleculares Aplicadas, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, permitiu datar esta prática na Gruta de Wonderwerk, na África do Sul.

"Esta descoberta, agora publicada na revista científica PLOS ONE, recua drasticamente a cronologia do uso do fogo pelos hominídeos, cujos vestígios mais antigos se ficavam até agora por volta de um milhão de anos", anunciou a Universidade Nova.

A investigação resultou de um consórcio internacional liderado por investigadores do Museo Nacional de Ciencias Naturales (MNCN-CSIC), em Espanha, e da Universidade de Toronto, no Canadá.

O estudo demonstrou que o fogo, provavelmente recolhido a partir de incêndios naturais no exterior, foi intencionalmente introduzido e mantido na gruta a cerca de 30 metros da entrada atual.

Os investigadores basearam-se na análise de ossos de micromamíferos provenientes de restos regurgitados encontrados no interior da gruta.

"O chão da gruta esteve coberto por estas pelotas [bolas] regurgitadas de forma quase contínua por aves de rapina (notoriamente corujas) durante quase dois milhões de anos", especificou a universidade, em comunicado.

Segundo a equipa, os ossos e os embutidos nessas bolas serviram de combustível para que o 'Homo erectus' conseguisse manter o fogo aceso.

A identificação de vestígios de fogo numa escala temporal tão profunda é, segundo os autores do trabalho, "um desafio metodológico colossal". Para o ultrapassar, a equipa desenvolveu um método não invasivo baseado nas propriedades de luminescência dos ossos queimados.

"Graças a esta técnica inovadora de luminescência, a equipa conseguiu distinguir de forma inequívoca os fósseis queimados pelo fogo daqueles que sofreram apenas alterações químicas durante a sua fossilização (como a fluoretação ou deposição de manganês, que podem imitar visualmente o efeito do fogo)", indicou a instituição.

O uso e posterior controlo do fogo é considerado uma das inovações mais decisivas na evolução humana, pois forneceu "luz, calor e proteção" contra predadores, permitindo novas formas de interação social.

Para Filipe Natálio, este estudo marca um ponto de viragem e levanta "questões fascinantes" sobre as origens da alimentação tal como a conhecemos.

"Temos a primeira evidência [prova] do uso do fogo pelo género Homo (talvez 'Homo erectus') para cozinhar. O impacto disto remete-nos para uma questão simples: quando é que aprendemos a cozinhar? Talvez com os nossos pais. E eles? O ato de cozinhar alimentos é algo que tem agora cerca de 1,8 milhões de anos", defendeu o investigador.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Boa Tarde

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8