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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

'Kit' permite armazenar ADN durante 20 anos

Pode ser utilizado em crimes, desaparecimentos ou catástrofes.

25 de maio de 2016 às 12:16

A Associação Portuguesa de Crianças Desaparecidas (APCD) lançou esta quarta-feira um 'kit' que permite armazenar o ADN de uma pessoa durante 20 anos e ser utilizado na investigação de um caso de desaparecimento, crime ou catástrofe.

Lançado no Dia Internacional da Criança Desaparecida, o 'kit' de identificação 'O meu ADN', concebido em parceria com a GNR, permite a recolha e identificação do ADN de uma criança, uma ferramenta já utilizada em países europeus e nos Estados Unidos e considerada das mais importantes para investigar o desaparecimento de um menor, segundo a APDC.

As amostras armazenadas no kit têm uma durabilidade mínima de 20 anos, durante os quais serão guardadas pela família, e, após os 18 anos pelos próprios, caso o pretendam.

"Em caso de catástrofe natural, de crime ou desaparecimento", esta informação poderá "ser entregue à polícia para que a amostra seja comparada com as amostras recolhidas nos locais que a polícia investiga", explicou à agência Lusa a presidente da associação, Patrícia Cipriano.

Desenvolvida em parceria com Derek Forest, perito em identificação de vítimas de catástrofes naturais e consultor da Interpol, esta ferramenta pretende "colmatar a inexistência em Portugal de uma ferramenta, de preço acessível a todos, que permita às famílias a sua utilização em caso de desaparecimento".

"Em Portugal não há a mentalidade de prevenir situações", mas "nos Estados Unidos, na Inglaterra e noutros países da Europa o ADN é fundamental para investigar uma situação de desaparecimento", disse Patrícia Cipriano.

Há mesmo casos em que, apesar de não se encontrar o corpo da pessoa desaparecida, o ADN vai confirmar que ela esteve naquele local, adiantou a presidente da APDC.

"A partir daí a investigação fica na posse de elementos fundamentais para ter um caminho, para ter suspeitos e para fazer também as suas teses de investigação", acrescentou.

'O meu ADN' vai estar à venda a partir de 1 de junho em várias lojas de uma rede de supermercados, com o preço de 24,90 euros.

Patrícia Cipriano avançou que estão a ser criadas estratégias para que o kit possa ser vendido em lote para famílias numerosas, forças de segurança, para o exército e profissionais de risco.

A Associação Portuguesa de Crianças Desaparecidas estuda a forma como em Portugal, a questão do desaparecimento, abuso e exploração sexual de crianças é tratada e acompanhada pelos envolvidos no processo.

"Esta problemática infelizmente não tem a atenção que deveria por parte das autoridades, nomeadamente por parte da classe política, e também por parte da sociedade civil", lamentou Patrícia Cipriano.

A responsável disse compreender que, "no meio de tanto problema a nível económico", que a sociedade "vive neste momento esta causa não seja tão debatida quanto deveria", mas lembrou há uma média de 4.000 desaparecimentos por ano, sendo a maioria de "menores que fogem e que são subtraídos a um progenitor por parte do outro".

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