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Legalização contra canábis adulterada

Centenas de ativistas manifestaram-se pelo consumo, venda e cultivo da canábis.

04 de maio de 2014 às 08:43

Centenas de pessoas juntaram-se ontem à Marcha Global da Marijuana, em Braga, Porto e Lisboa, pela legalização do cultivo, venda e consumo da canábis em Portugal. Os ativistas reclamam da qualidade da erva que é vendida no mercado negro.

"Misturam químicos, plásticos e detergente à erva. A substância torna-se perigosa para a nossa saúde. Mais valia que nos deixassem cultivar uma substância pura que não nos fizesse mal", disse ao CM um jovem de 21 anos, que dá pelo o nome de ‘Fox'. Em Lisboa, estiveram cerca de 100 manifestantes, principalmente jovens, que fumavam canábis enquanto se dirigiam para o miradouro de S. Pedro de Alcântara.

Ao CM, João Goulão, presidente do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências, refere que "a adulteração da substância podia ser resolvida com a legalização da substância". Contudo, o responsável diz que por agora não sente que haja vantagem em adotar esta medida.

No centro do Porto, a marcha contou com cerca de 400 pessoas. "Basta de hipocrisia, legalizem a Maria", foi a frase mais ouvida no caminho entre o Marquês e a Praça D. João I. "Faz todo o sentido em Portugal, porque apesar de não ser totalmente ilegal, também não é legal. Não há essa recetividade por parte do Governo", disse ao CM uma das organizadoras da manifestação. "O pudor e o tabu estão muito presentes. Há problemas até em falar sobre a questão", acrescentou. O consumo da canábis estabilizou, mas continua a ser a droga mais consumida no País. Portugal está atento ao caso do Uruguai e de alguns locais nos Estados Unidos que já legalizaram a substância.

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