Município frisa que a comunicação da operadora é tão relevante quanto a intervenção técnica.
A Câmara e as 20 juntas de freguesia de Leiria criticaram este sábado a falta de informação objetiva da E-Redes, a quem exigem que compense os lesados pelos danos da interrupção da energia causada pelo mau tempo.
Numa carta aberta dirigida ao presidente do conselho de administração da E-Redes e lida pelo presidente do Município de Leiria, Gonçalo Lopes, refere-se que passaram já 11 dias desde que a depressão Kristin atingiu o concelho de Leiria, permanecendo, à data de hoje, "ainda mais de 20 mil contadores sem acesso a energia elétrica, sobretudo nas zonas mais rurais".
"Falamos de famílias, de produtores agrícolas, de empresas locais, de lares, de pessoas isoladas e vulneráveis que continuam numa situação de grande fragilidade, muitas vezes sem qualquer informação clara sobre quando será reposta a normalidade", sustentam os autarcas.
Reconhecendo "o esforço técnico das equipas no terreno", os subscritores afirmam que, "num contexto de emergência, sendo a E-Redes um operador de serviço público essencial, a comunicação, a proximidade e o respeito pelas populações são responsabilidades tão relevantes quanto a intervenção técnica".
Nesse sentido, os subscritores defendem que "as populações têm o direito de saber qual o ponto de situação concreto em cada freguesia, que prazos previsíveis estão a ser considerados para a reposição do serviço, que critérios orientam as prioridades de intervenção, que constrangimentos técnicos subsistem e que soluções estão a ser adotadas para os ultrapassar e que medidas de mitigação estão a ser acionadas para apoiar as populações enquanto a reposição não é possível".
Para os autarcas, "a falta de informação objetiva, atualizada e acessível, associada à inexistência de respostas visíveis de compensação em muitas situações, tem vindo a gerar ansiedade, indignação e um sentimento crescente de abandono".
"Além dos prejuízos causados pela interrupção do fornecimento de energia elétrica, que originou perdas significativas junto de empresas e de particulares, impõe-se que os lesados sejam devidamente ressarcidos pelos danos sofridos, em moldes a clarificar pela entidade responsável, de forma justa, célere e transparente", preconizam.
Por outro lado, referem que são os autarcas que recebem, "diariamente, as chamadas, as queixas, o cansaço e a exaustão de quem já não consegue suportar mais dias sem eletricidade".
"É, por isso, nossa responsabilidade institucional exigir que a informação circule com transparência, regularidade e previsibilidade", dizem.
Nesse sentido, consideram indispensável a divulgação diária de informação pública, por freguesia, com indicação do número de contadores repostos e estimativas de normalização ou a criação de um canal direto, permanente e operacional de comunicação com o município e juntas.
Pedem ainda a "definição e comunicação clara de medidas de mitigação, nomeadamente a disponibilização de geradores ou outras soluções temporárias, priorizando as situações de maior vulnerabilidade", e a "presença regular de responsáveis da E-Redes" no concelho.
Após ler a carta aberta, Gonçalo Lopes anunciou a realização de uma vigília, na segunda-feira, às 20:00, na Fonte Luminosa, em Leiria, numa ação de solidariedade para com as pessoas que não têm eletricidade e de homenagem às vítimas mortais.
Aos jornalistas, o presidente da Câmara de Leiria declarou "a ausência de informação cria ansiedade" e "incapacidade de planear o regresso à vida quotidiana, seja de empresas, mas sobretudo de pessoas a nível individual".
Gonçalo Lopes alertou que "tem vindo a crescer o nível de insatisfação por parte das populações" e de "saturação psicológica", sendo necessária uma "visão humanista" da E-Redes.
"Se os portugueses tiveram a experiência durante 12 horas, aquando do apagão [28 de abril de 2025], imaginem o que é que estas pessoas estão a sofrer com [quase] 12 dias ininterruptos sem eletricidade em casa", acrescentou.
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