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Liga contra o cancro alerta para agravamento das listas de espera em oncologia

LPCC apelou para que o Ministério da Saúde adote medidas urgentes que garantam consultas e cirurgias atempadas.

11 de maio de 2026 às 17:19

A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) manifestou esta segunda-feira preocupação com o agravamentos das listas de espera em oncologia e apelou para que o Ministério da Saúde adote medidas urgentes que garantam consultas e cirurgias atempadas.

Segundo dados divulgados esta segunda-feira pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS), no final do segundo semestre de 2025, 8.874 utentes aguardavam primeira consulta oncológica e 8.215 esperavam cirurgia, com aumentos de 3% e 9%, respetivamente, face a igual período de 2024.

Comentando estes números à agência Lusa, o presidente da LPCC, Vítor Veloso, afirmou que "são dados negativos" para os quais a instituição olha "com admiração, mas uma admiração negativa e com uma preocupação muito grande".

"Estes dados demonstram que, em relação aos doentes oncológicos, a situação não é brilhante", disse, destacando o aumento de 9% na espera para a cirurgia oncológica.

Para o oncologista, ainda mais preocupante é o facto de 21,2% dos doentes em espera já terem ultrapassado o tempo máximo de resposta garantido, assim como o aumento dos tempos de espera para a primeira consulta de especialidade.

"Todos estes dados são negativos e a Liga solicita ao Ministério da Saúde que se debruce sobre eles e que lance uma iniciativa que considere e faça com que esta situação seja recuperada", defendeu.

"Os doentes estão a ser altamente prejudicados e portanto veementemente nós pedimos ao Ministério de Saúde que tome as devidas medidas", reforçou o oncologista.

Questionado sobre as medidas que devem ser tomadas para reverter estes indicadores, o presidente da Liga afirmou que "todo o Serviço Nacional de Saúde precisa de uma restruturação muito grande", incluindo na área da oncologia.

Para Vítor Veloso, os doentes estão a ser "duplamente prejudicados", quer pelos atrasos nas primeiras consultas de especialidade, "que são determinantes" para o diagnóstico e tratamento, quer pelos atrasos nas cirurgias.

Questionado sobre se esta realidade já se reflete no dia-a-dia da instituição, Vítor Veloso respondeu "obviamente que sim", referindo que muitos doentes recorrem à Liga por ainda não terem sido operados.

"Há muitos doentes que nos procuram no sentido de tomarmos medidas, mas a Liga não tem possibilidade de as tomar. Isso é a nível central, a nível do Ministério da Saúde, que tem de ser tomado", afirmou.

Como razões para o agravamento da situação, Vítor Veloso apontou a falta de profissionais de saúde "e, provavelmente, a estrutura não estar devidamente montada".

"Este agravamento não é um agravamento mínimo. É um agravamento já altamente preocupante", concluiu Vítor Veloso.

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