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Livre questiona Governo sobre tratamento diferenciado entre alunos na cantina dos Salesianos

Refeições servidas aos alunos que pagam mensalidades são melhores do que as dos que ali estudam gratuitamente.

16 de março de 2026 às 17:59

O Livre questionou esta segunda-feira o Governo sobre o tratamento diferenciado entre alunos do regime público e privado na cantina do colégio dos Salesianos de Manique, em Cascais, considerando que está em causa uma "violação grave" de direitos constitucionais.

Na pergunta, dirigida ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação, o Grupo Parlamentar do Livre refere o caso denunciado através de uma notícia da agência Lusa, na passada sexta-feira.

Em causa estão denúncias de que as refeições servidas aos alunos que pagam mensalidades são melhores do que as dos que ali estudam gratuitamente, levando alguns a trocar a cantina pelo bar para fugir à "comida dos pobres".

O Livre salienta que neste colégio, situado em Cascais, Lisboa, "coexistem dois regimes de frequência: alunos que pagam mensalidades ao estabelecimento privado e alunos que frequentam a escola gratuitamente ao abrigo do contrato de associação celebrado com o Ministério da Educação, Ciência e Inovação, destinado a suprir a insuficiência de oferta da rede pública naquela área geográfica".

O próprio colégio confirmou à agência Lusa a existência desta diferenciação, atribuindo a responsabilidade ao Estado, alegando que "é mesmo assim porque o Estado não permite vender as refeições do privado ao regime público" e que o valor de 1,46 euros por refeição é insuficiente para garantir refeições iguais.

Os deputados do Livre recordam que os contratos de associação "têm como objetivo expresso «possibilitar a frequência das escolas do ensino particular e cooperativo em condições idênticas às do ensino ministrado nas escolas públicas»" e que de acordo com a lei as escolas estão obrigadas a "garantir a frequência do ensino a todas as crianças e jovens em idade escolar, em condições idênticas às das escolas públicas".

O partido -- liderado por Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes -- argumenta que "a discriminação à mesa num estabelecimento de ensino - onde crianças e jovens partilham o mesmo espaço físico mas recebem tratamento ostensivamente diferente em função da condição socioeconómica das suas famílias - constitui uma violação grave dos princípios da igualdade e da dignidade da pessoa humana" e do direito à educação, consagrados na Constituição da República.

Os deputados consideram a situação "ainda mais chocante por ocorrer num colégio da Congregação Salesiana, cuja missão fundacional, inspirada em São João Bosco, é precisamente a educação dos jovens mais desfavorecidos", acrescentando que "servir comida diferente a crianças em função do dinheiro que as suas famílias podem pagar é uma prática que humilha, exclui e perpetua desigualdades no espaço que deveria ser, por excelência, um lugar de igualdade".

Neste contexto, o Livre endereçou várias perguntas ao Ministério da Educação, entre elas, se a tutela tinha conhecimento desta prática e, se sim, desde quando e que medidas estão a ser tomadas.

O Livre quer saber que "ações de fiscalização e inspeção foram ou serão desencadeadas pela Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC)" ao colégio na sequência destas denúncias e se existem outros estabelecimentos de ensino com contrato de associação onde se verifique uma prática semelhante de diferenciação nas refeições escolares.

No conjunto de questões, os deputados do Livre questionam qual é o valor atualmente pago pelo Estado por cada refeição no âmbito dos contratos de associação, a ultima vez que foi atualizado e se o Governo está disponível para o rever.

Sobre denúncias de insetos encontrados em refeições dos alunos do regime público, o Livre quer saber se foi desencadeada alguma inspeção sanitária. Por último, o partido questiona o Governo sobre se pondera incluir nos contratos de associação "cláusulas explícitas que proíbam qualquer forma de tratamento diferenciado entre alunos do regime público e do regime privado, incluindo nas refeições, e prevejam sanções efetivas em caso de incumprimento, podendo estas ir até à rescisão do contrato".

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