Autarca explicou que tapar os telhados destas habitações, que se situam em todas as freguesias do concelho, tem sido uma das prioridades.
Cerca de 440 habitações estão a precisar de intervenção imediata ao nível das coberturas no concelho de Figueiró dos Vinhos, no distrito de Leiria, disse, esta terça-feira, à agência Lusa o presidente da autarquia, Carlos Lopes.
O autarca explicou que tapar os telhados destas habitações, que se situam em todas as freguesias do concelho, tem sido uma das prioridades.
"Os trabalhadores da autarquia, os bombeiros, as equipas voluntárias e o Exército estão a fazer esse trabalho. O Ministério da Defesa disponibilizou-nos lonas e estamos a procurar resolver as questões de uma forma provisória, porque é completamente impossível, neste momento, pensar-se em soluções definitivas", frisou.
A Câmara de Figueiró dos Vinhos realojou quatro pessoas, mas "houve muitos mais desalojados, que ficaram com familiares e vizinhos", acrescentou.
Carlos Lopes disse à Lusa que a passagem da depressão Kristin também deixou "uma empresa completamente destruída, a Eurovegetal", e que, até segunda-feira à noite, mais 20 empresas não conseguiram laborar por falta de energia elétrica.
"Desde ontem [segunda-feira] à noite que conseguimos um gerador para alimentar a nossa zona industrial, que não é muito grande", contou.
O autarca acrescentou que, neste momento, ainda faltará repor energia elétrica em cerca de 40% do concelho, apesar de o município pressionar diariamente a E-Redes.
Segundo a autarquia, desde quarta-feira que se encontra no concelho uma equipa da E-Redes "em trabalho contínuo e permanente, no sentido de restabelecer a energia elétrica o mais rapidamente possível", estando as reparações a ser feitas por fases.
Foram já finalizadas "as reparações mais simples das linhas de Média Tensão que permitiram que alguns locais de Aguda e Figueiró dos Vinhos recuperassem a energia elétrica".
"Os restantes locais do concelho sofreram danos muito graves nas Linhas de Média Tensão e Baixa Tensão, tornando a sua reparação difícil e demorada, não havendo por isso previsão para o restabelecimento total da energia elétrica em todo o concelho", explicou a autarquia, em comunicado.
Neste momento, "existem muitos constrangimentos de energia em Arega, Bairradas e Campelo", estando a ser feito "um esforço ininterrupto para que a E-Redes disponibilize um gerador por freguesia", que assegure os serviços essenciais.
A Câmara de Figueiró dos Vinhos anunciou que, a partir desta terça-feira, a piscina municipal reabrirá "para utilização exclusiva dos balneários para banho quente destinados a quem não tenha energia na habitação e queira usufruir deste serviço", das 09:00 às 22:00.
O fornecimento de água no concelho "encontra-se relativamente normalizado" e "as comunicações no centro da vila de Figueiró dos Vinhos estão relativamente estabilizadas", acrescentou.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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