Dispositivo nacional envolve mais de 1.600 militares em 41 municípios de 12 distritos.
O Exército tem este sábado 529 militares empenhados no distrito de Santarém no apoio às populações afetadas pelas cheias e pela tempestade, integrando um dispositivo nacional que envolve mais de 1.600 militares em 41 municípios de 12 distritos.
Em declarações à agência Lusa, o porta-voz do Exército, tenente-coronel Hélder Parcelas, explicou que a atuação decorre "em coordenação com as autoridades competentes e com as autarquias, assegurando uma resposta contínua e ajustada às necessidades identificadas no terreno".
No distrito de Santarém, os militares estão a intervir nos concelhos de Abrantes, Tomar, Ourém, Ferreira do Zêzere, Mação, Azambuja, Golegã, Torres Novas, Vila Nova da Barquinha, Coruche, Cartaxo e Rio Maior, em ações que incluem trabalhos de engenharia, limpeza e desobstrução de vias, remoção de escombros, restabelecimento de acessos, transporte e apoio logístico, patrulhamento de proximidade, reforço de comunicações e iluminação, bem como apoio sanitário e psicológico.
Segundo o Exército, o esforço já desenvolvido no distrito permitiu proteger e recuperar habitações com a aplicação de 89 lonas e a reparação de 15 coberturas, reabrir 83 quilómetros de vias, transportar cerca de 151 toneladas de carga e remover aproximadamente 205 toneladas de escombros para reposição de condições de segurança.
Foram ainda disponibilizadas 602 camas, realizadas 251 patrulhas de proximidade, apoiadas 84 situações de dificuldade social e assegurado apoio de lavandaria às populações afetadas.
Ao mesmo tempo, o Exército mantém a instalação de barreiras de contenção ao longo das bacias do Tejo, Mondego e Vouga, visando proteger pessoas, habitações e infraestruturas em zonas mais expostas.
No terreno, indicou o militar, "foram aplicados 160 metros de barreiras nas frentes de trabalho de Azambuja e Constância", em ação que contou com o apoio de equipamento proveniente do Exército espanhol, acrescentando que o Exército tem a "capacidade de montar até 3.500 metros".
"O Exército continuará a atuar onde for necessário e pelo tempo que se justificar, mantendo meios em prontidão e ajustando o dispositivo à evolução da situação", acrescentou o tenente-coronel Hélder Parcelas.
O comando das operações está a ser assegurado a partir do Comando das Forças Terrestres, através do Centro de Operações Táticas, na Amadora, que garante a coordenação permanente do dispositivo e a articulação com as entidades no terreno.
Em paralelo, no Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME), em Abrantes, foi constituída uma "força-tarefa" dedicada à monitorização contínua da situação e ao ajustamento de meios em função da evolução dos caudais nas bacias do Vouga, Mondego e Tejo.
A nível nacional, o Exército tem atualmente empenhados mais de 1.600 militares, um terço dos quais no distrito de Santarém, apoiados por 135 viaturas táticas ligeiras, 130 viaturas táticas pesadas, 24 máquinas de engenharia, 15 geradores e módulos de comunicações, com meios pré-posicionados para emprego rápido sempre que necessário.
Desde o início do mau tempo, o dispositivo militar permitiu aplicar 188 lonas em telhados e reparar 26 coberturas, abrir 169 quilómetros de vias, transportar 210 toneladas de carga e remover 451 toneladas de escombros, precisou o Exército.
Foram ainda disponibilizadas 1.826 camas, realizadas 762 patrulhas e apoiadas 229 situações de dificuldade social, acrescentou.
Catorze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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