Fenómeno agrava-se entre as mais jovens e as estrangeiras.
Mais de um quarto das mulheres trabalhadoras têm vínculos precários, um fenómeno que se agrava entre as mais jovens e as estrangeiras, sendo Portugal o segundo país da União Europeia com mais emprego precário.
Segundo dados recolhidos pela Confederação-geral de Trabalhadores Portugueses (CGTP-In), para o retrato sobre "A situação atual das mulheres trabalhadoras em Portugal", "cerca de 590 mil mulheres trabalhadoras têm vínculos precários, ou seja, 26,8% do total das assalariadas".
Refere, tendo por base dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos ao primeiro trimestre de 2025, que havia 2.548 mil mulheres empregadas, 2.244 mil das quais a trabalhar por conta de outrem (88%).
"O flagelo da precariedade agrava-se entre os trabalhadores mais jovens, nomeadamente entre as que têm menos de 25 anos, e entre as trabalhadoras estrangeiras, sendo de 51% a incidência da precariedade entre as primeiras e de 35% entre as segundas", lê-se no documento.
Este retrato mostra também que "mais de 40% das mulheres empregadas completaram o ensino superior (41%)", enquanto 27% ficaram no 9.º de escolaridade, o que mostra que os "níveis de habilitação são superiores aos dos homens empregados, já que apenas 28% deles completaram o ensino superior e 37% no máximo o 9.º ano de escolaridade".
"A melhoria das habilitações não se refletiu devidamente na elevação dos salários, continuando muitas trabalhadoras a desempenhar tarefas pouco qualificadas devido ao perfil produtivo da economia, assente em trabalho precário e mal pago", refere a CGTP-In.
Em matéria de salários, o levantamento da confederação sindical mostra que 60% das mulheres recebem salários até mil euros mensais, entre as quais estão 18% que ganham apenas o salário mínimo.
Destaca que o salário médio líquido das mulheres é 17% inferior ao dos homens, com diferenças ainda maiores entre quadros superiores e que as mulheres com vínculos precários recebem até 28% menos do que as mulheres com contratos permanentes.
De acordo com a CGTP-In, "além de longos, os horários de trabalho praticados em Portugal são altamente desregulados" e "cerca de um milhão e 300 mil mulheres trabalhadoras por conta de outrem do setor privado e do setor empresarial do Estado estão sujeitas à desregulação dos seus horários de trabalho".
Por outro lado, a taxa de desemprego entre as mulheres é de 7%, acima da dos homens, que está em 6,2%, sendo que "apenas 45% das mulheres desempregadas têm acesso a proteção social no desemprego".
Acrescenta que o valor médio das prestações está em 642 euros, tanto para homens como mulheres, "ou seja, pouco mais que o limiar da pobreza".
Refere, por outro lado, que, em dezembro de 2024, "o valor médio das pensões de velhice era de cerca de 666 euros mensais no conjunto de todos os regimes, situando-se pouco acima do limiar da pobreza".
Sublinha que "as pensões do regime geral são pouco mais elevadas (516 euros na média do conjunto dos regimes e 524 euros no regime geral), mas em qualquer dos casos são sempre mais baixas entre as mulheres (rondam 62% do valor recebido pelos homens), devido aos seus salários serem também, em média, mais baixos e as carreiras contributivas mais curtas".
A CGTP-In destaca ainda que 17,6% das mulheres estão em situação de pobreza (contra 15,4% dos homens) e que 8,3% das mulheres empregadas são pobres, "demonstrando que trabalhar não basta para sair da pobreza".
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