Obra pública custou 398 ME.
O Túnel do Marão r
asgou a serra do Marão entre Amarante e Vila Real e demorou sete anos a concluir. O túnel, incluído na Autoestrada do Marão abre ao trânsito às 00h00 de domingo depois de inaugurado sábado à tarde pelo primeiro-ministro, António Costa.
Possui 5,6 quilómetros é o maior de Portugal, destronando as infraestruturas rodoviárias do género na Madeira.
No entanto, esta obra que permite atravessar a montanha, é ultrapassado por várias outras estruturas, das quais uma das maiores foi inaugurada na Noruega em 2000.
Túnel com segurança de nível mundial
Dentro do Túnel do Marão apostou-se num sofisticado sistema de segurança que inclui um circuito de videovigilância e a deteção automática de incidentes.
André Oliveira, coordenador do empreendimento, explicou à Lusa que todo o túnel está coberto por um sistema de videovigilância, com 126 câmaras, e de deteção automática de incidente.
Em caso de anomalia, carro parado ou incêndio, a câmara mais próxima do local foca a anomalia, puxa a situação para o 'vídeo wall' do centro de controlo onde em permanência estão dois operadores. É o próprio sistema que sugere formas de atuação de acordo com a gravidade da ocorrência e o procedimento de emergência que deve ser tomado.
Os operadores podem comunicar com os utentes através dos painéis luminosos de informação, dos megafones instalados ao longo da estrutura ou através da rádio, já que a mensagem pode interromper a emissão de uma das quatro rádios que poderão ser ouvidas no interior.
Ao longo de toda a extensão existem dois passadiços para encaminhar os utentes para as 13 passagens de emergência, seis das quais permitem a passagem dos veículos para a outra galeria que poderá ser encerrada para a evacuação ou passagem dos veículos de emergência.
André Oliveira frisou que o Túnel do Marão "cumpre todos os requisitos de segurança" e, em algumas situações, vai até para além do que é imposto por lei, como, por exemplo, a nível das bocas-de-incêndio que estão colocadas de 180 em 180 metros (a lei impõe 200) ou nas galerias de emergência que distanciam 400 metros (lei estabelece 500).
No interior há também 82 postos SOS, 470 altifalantes, rede de telemóvel para facilitar as comunicações e foram instalados 72 ventiladores.
O túnel possui uma coluna de água que percorre toda extensão e alimenta as bocas-de-incêndio, ainda sensores de opacidade, de gases como monóxido de carbono e óxido nítrico, de diferenças de temperatura, de medição de velocidade, de orientação e de iluminação.
Todos estes sistemas têm como objetivo a máxima segurança do túnel e colheram informação em situações passadas. Em 1999, no interior do Túnel Monte Branco, entre França e Itália, um camião incendiou-se e 39 pessoas acabaram por morrer devido ao fumo e temperaturas elevadas.
Obra pública custou 398 ME
A Autoestrada do Marão, a maior obra pública dos últimos tempos em Portugal, representa um investimento global de 398 milhões de euros, dos quais 89 milhões são financiamento comunitário, segundo a Infraestruturas de Portugal.
Esta autoestrada, entre Vila Real e Amarante, foi lançada em 2008, pelo Governo socialista de José Sócrates, como uma parceria público privada. O contrato de concessão foi assinado com a Concessionária Autoestrada do Marão, composta pelas empresas Somague e MSF.
A obra arrancou em 2009. Na altura, José Sócrates afirmou que a via "vai acabar com a ideia de que haverá pessoas para cá do Marão ou para lá do Marão" considerando tratar-se de uma "obra histórica que ligará Trás-os-Montes à rede de autoestradas do país" e que "marcará um antes e um depois".
O investimento inicial previsto era de 458 milhões de euros, dos quais 341 milhões eram destinados à sua construção, e a sua abertura ao tráfego foi anunciada para fevereiro de 2012.
Sócrates haveria de voltar à serra do Marão para assinalar o retomar dos trabalhos no interior do túnel.
É que o percurso não foi fácil e a obra de escavação do Túnel do Marão foi suspensa por duas vezes devido a um processo judicial interposto por uma empresa que explorava águas nesta serra.
Em julho de 2011, já com o Governo de Pedro Passos Coelho em funções, os trabalhos pararam em toda a extensão da autoestrada, desta vez devido a dificuldades financeiras por parte da concessionária.
Na altura estavam realizados 247 milhões de euros do investimento previsto para a construção, faltando ainda escavar cerca de quatro quilómetros dos 11,3 quilómetros que representam a extensão total das duas galerias do túnel.
Em junho de 2013, o Governo PSD/CDS resgata a concessão do Túnel do Marão, uma decisão fundada no incumprimento pela concessionária que interrompeu a obra, e o empreendimento foi entregue à Infraestruturas de Portugal (IP).
O Túnel do Marão ficará para a história como a primeira obra pública resgatada pelo Estado, o que aconteceu dois anos após a paragem da empreitada.
Para Luís Ramos, deputado do PSD que acompanhou de perto este 'dossier', "o Túnel do Marão é a obra do país com mais primeiras pedras".
A conclusão da obra foi apontada para o final do primeiro trimestre de 2016 e vai ser agora inaugurada sábado pelo primeiro-ministro António Costa e abre, depois, às 00h00 de domingo.
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