Perante a volatilidade das fronteiras e a evolução do surto a segurança deve preceder a aventura.
A Sociedade Portuguesa de Medicina do Viajante (SPMV) advertiu, este domingo, que quem viajar para o Uganda, onde já foram detetados cinco casos de Ébola, deve ter uma "estratégia de contingência" perante a evolução do surto.
"Viajar para o Uganda neste momento é possível, mas não deve ser feito sem uma estratégia de contingência", alertou a SPMV, em comunicado.
Segundo a SPMV, perante a volatilidade das fronteiras e a evolução do surto a segurança deve preceder a aventura.
"Manter-se informado e atualizado, escolher rotas que minimizem o risco logístico e privilegiar sempre as orientações das autoridades de saúde internacionais é fundamental", assinalou.
Mais do que o risco de exposição, que é considerado baixo, o "perigo real" pode ser em termos logísticos, apontou.
O Ruanda ou o Uganda podem fechar a fronteira terrestre (Cyanika/Katuna) de um momento para o outro, pode haver cancelamento de voos e pode ainda haver exigência de quarentena no regresso com o país de origem ou de escala a exigir quarentena obrigatória ou testes PCR (teste para confirmar a existência de infeções por vírus), especificou.
A SPMV salientou que outra questão importante está relacionada com o seguro de viagem e se cobre emergências sanitárias porque a sua maioria funciona no imprevisto.
"Se o viajante tinha o seguro antes da declaração do surto é provável que esteja coberto para cancelamentos e assistência médica. Neste momento, o Ébola é considerado um "evento conhecido" e muitos seguros podem excluir agora cancelamentos relacionados com o surto no Uganda", frisou.
Relativamente a impedimentos de viajar de volta, a maioria dos seguros não paga estadia em hotel por quarentena preventiva, apenas apólices com cobertura específica para "interrupção de viagem por doença infecciosa" pagam uma diária para cobrir o hotel e alimentação enquanto o viajante estiver retido, destacou.
"Se o Uganda declarar um lockdown [confinamento] regional, o seguro pode alegar "ordem governamental", o que é frequentemente uma cláusula de exclusão", ressalvou.
O Uganda, país vizinho da República Democrática do Congo onde a Ébola já causou mais de 200 mortos, confirmou este sábado três novos casos, que elevou para cinco, incluindo uma morte.
A doença provoca uma febre hemorrágica extremamente contagiosa e continua a ser temível, apesar das recentes vacinas e tratamentos eficazes apenas contra o vírus Zaire, responsável pela maioria das epidemias registadas no passado.
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