Presidente da associação de médicos tarefeiros classificou reunião com ministra "extremamente cordial e afável".
Médicos tarefeiros apresentam proposta à tutela até final do ano
O presidente da associação de médicos tarefeiros, que, esta quinta-feira, se reuniu com o Ministério da Saúde, prevê entregar à tutela até ao final do ano as suas propostas para disciplinar a prestação de serviços nos hospitais públicos .
À saída de uma reunião com a ministra Ana Paula Martins, que classificou como "extremamente cordial e afável", Nuno Figueiredo e Sousa manifestou também solidariedade com os médicos da Unidade Local de Saúde de Castelo Branco, que avisou os médicos tarefeiros de que não irá pagar este mês na íntegra, alegadamente devido a um problema de tesouraria.
O representante dos médicos que prestam serviços externos nos hospitais públicos disse esperar que a situação em Castelo Branco seja resolvida o mais depressa possível.
"Estamos solidários com os colegas de Castelo Branco, achamos lamentável que isso esteja a acontecer nesta altura, mas estamos em querer que tudo será resolvido conjuntamente com o Ministério da Saúde", afirmou o representante dos médicos tarefeiros.
Sobre a reunião, o responsável disse que o objetivo da tutela e dos tarefeiros era o mesmo: "garantir a qualidade do serviço de urgência e a qualidade do serviço prestado aos utentes portugueses".
Questionado sobre os pontos de que os médicos tarefeiros não abdicam, Nuno Figueiredo e Sousa apontou a "qualidade de serviço [de saúde prestado] aos portugueses".
O presidente da associação disse que os médicos tarefeiros continuam sem saber quais os pontos do diploma que o Governo está a preparar para regular o trabalho médico em prestação de serviço.
"Deram-nos uma visão geral sobre o decreto-lei, nós falamos das nossas preocupações, os representantes do ministério falaram das deles, mas em concreto ninguém sabe o que está escrito", disse Nuno Figueiredo e Sousa, considerando que o vínculo dos tarefeiros ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) "é um caminho que deve ser feito".
A este respeito, apontou a especialidade de Medicina de Urgência e Emergência, afirmando que os números mostram que "a carreira de fazer SU [Serviço de Urgência] não é muito apelativa". Segundo Nuno Figueiredo e Sousa, das 31 vagas disponíveis, só foram preenchidas oito.
"Temos de perceber como podemos criar um mecanismo que seja atrativo quer para os miúdos que entrem na especialidade agora, quer para os que estão a fazer urgencia há muitos anos, que consiga garantir o melhor exercício desta profissão neste nicho (...). E isso não tem nada que ver com valores/hora, tem que ver com formação, evolução da carreira e com conhecimento, de forma a prestar um melhor serviço", adiantou.
"Agora vamos trabalhar no terreno. Isto foi discutido na generalidade, mas agora temos de passar à especialidade e perceber ponto por ponto quais são as formas de levar isto a bom porto", afirmou.
Disse ainda que o valor pago à hora a estes profissionais "não foi abordado na reunião" e, quanto ao impedimento que o Governo quer criar para quem sair do SNS - apenas pode ser prestador de serviço após três anos - disse que foram dadas garantias de que "há diferentes situações a ser trabalhadas nesse contexto. Não será um assunto fechado".
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