Moradores colocaram um cartaz onde se pode ler "Sr. Condutor de Veículos de Animação Turística, esta rua não é para si".
Moradores de Alfama em protesto contra 'tuk tuks'
Cerca de meia centena de pessoas fechou esta quarta-feira a Rua dos Remédios, no bairro lisboeta da Alfama, exigindo o encerramento ao trânsito, anteriormente com passagens controladas, e que foi reaberto devido às obras do Plano de Drenagem de Lisboa (PGDL).
Envergando cartazes com frases "Não toquem na minha rua", "Rua lotada, rua cortada", "Veículos pesados aqui não" e "Veículos 'tuk-tuk' aqui não", a maioria das pessoas presentes, essencialmente moradores e já com alguma idade, fechou a rua com barreiras de metal, não deixando passar o trânsito, agora aberto a todos os veículos.
Isabel Esmeralda, mais conhecida como D. Belinha, conta com 78 anos. A entrada do prédio onde mora é no Beco da Lapa, mas a janela do seu primeiro andar dá para a Rua dos Remédios. E é nesta, conforme contou à Lusa, que se está a passar "uma coisa indecente" com a passagem constante de 'tuk-tuk' pela rua.
Meia centena de pessoas fechou Rua dos Remédios em Lisboa para travar circulação rodoviária
"Não nos dão passagem quando quero atravessar, tenho de estar à espera de 18 'tuk-tuk', por vezes adianto o passo para ver se eles travam e digo 'espera aí que agora quem passa sou eu'", explicou, lembrando também a circulação destes veículos, já à noite, com música alta e "carregados de raparigas que já iam aviadas a cantar alto" e a fazer barulho estrada fora.
Também José Louro, nascido na Rua dos Remédios há 69 anos, resiste como morador, explicando que a "zona é particularmente afetada pela obra" do Plano de Drenagem de Lisboa.
José Louro recordou que "há meia dúzia de anos" a junta de freguesia fez uma "grande obra, não só do que está à vista, mas também por baixo, em termos de esgotos e manilhas", e a rua foi fechada com um pilarete, impedindo a circulação de veículos externos, à semelhança do que acontece em algumas ruas do Bairro Alto.
"Agora, logicamente, que isto é uma rua que não estava preparada, nem está, para a circulação de pesados, agora é a única alternativa para se entrar aqui, passou a ser", explicou, lembrando a existência de um pilarete à entrada que só permitia a circulação de carros ligeiros, alguns pesados como transporte públicos e veículos de cargas e descargas para o comércio local, mas que impedia a entrada de 'tuk-tuk'.
Para este morador, como solução enquanto decorre a obra do PGDL, podia haver a presença de um policiamento a restringir a entrada, nomeadamente dos 'tuk-tuk'.
Entre os manifestantes encontrava-se o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho (PS), que explicou que a solução encontrada pela câmara em abrir a rua à circulação geral "não está a funcionar".
"Está a ser muito difícil para quem aqui reside, há mesmo cenas de pancadaria com condutores de 'tuk-tuk'", disse Miguel Coelho, afirmando não "condenar quem está a fazer o seu trabalho", mas lamentando que atualmente aqueles veículos passem na Rua dos Remédios.
Miguel Coelho frisou ainda que o piso da rua já está a abater em algumas zonas devido à passagem de veículos pesados, que estão também a deitar pilaretes abaixo, pilaretes esses que referiu serem caros, mas que são uma solução para evitar o estacionamento de automóveis.
"O nosso objetivo agora é não pararmos até a câmara [presidida pelo social-democrata Carlos Moedas] tomar uma medida que é justa para as pessoas que aqui moram e que têm direito a viver tranquilamente num território que tem sido tão massacrado com invasão da propriedade, no caso da residência das pessoas, com a expulsão das mesmas, com o alojamento local que desertificou o território", desabafou o autarca, lembrando só querer "alguma tranquilidade" para quem ainda permanece em Alfama.
Também o presidente da Assembleia de Freguesia de Santa Maria Maior, Sérgio Cintra (PS), recordou que nos últimos tempos "foi revertido" o equilíbrio que havia entre moradores e os turistas daquela zona da cidade, sublinhando a importância da obra e o dinamismo da mesma, sem esquecer as pessoas que vivem no local.
Sérgio Cintra acrescentou ainda estar presente no protesto não só pelo cargo na assembleia da freguesia, mas também como antigo morador da rua, onde ainda vivem os seus pais, e para dar voz àqueles que, com certa idade, não podem participar no protesto.
À entrada da Rua dos Remédios encontra-se um sinal de trânsito proibido 'a veículos afetos à atividade de animação não turística não pesados', vulgo tuk-tuk, além de veículos de carga superior a 3,5 toneladas, sendo permitido a passagem de transportes públicos e veículos da CML (Câmara Municipal de Lisboa) e higiene urbana.
Ao lado do sinal, os moradores colocaram um cartaz onde se pode ler "Sr. Condutor de Veículos de Animação Turística, esta rua não é para si".
Em resposta por escrito à Lusa, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) adiantou que, face aos constrangimentos causados pelo PGDL em Santa Apolónia, "tem em análise o plano de sinalização temporária aprovado e implementado até ao momento, com o propósito de minorar com mais eficácia os impactos negativos no trânsito naquela zona".
Segundo a nota, foi previsto um plano de alternativa viária "que está em concretização" e que foi "validado e implementado com a anuência das entidades envolvidas", tendo sido retiradas e recolocadas paragens de autocarros com vista a aliviar as vias (Rua dos Remédios e Rua do Vigário).
Em relação aos comerciantes, a CML diz que foram tomadas medidas no sentido de tornar visíveis os estabelecimentos comerciais e de restauração nos tapumes de obra, bem como de isenção de taxas dos estabelecimentos existentes na área de influência da obra.
Estima-se a manutenção do estaleiro de obra de Santa Apolónia até maio de 2025.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.