Linhas de orientação para cortes nos hospitais publicadas ontem. A ordem é para cortar na despesa total com a frota automóvel dos administradores.
A ministra da Saúde, Ana Jorge, quer cortar nos gastos com os carros dos administradores. Nas linhas de orientação para ajudar os hospitais com os planos de contenção, publicadas em Diário da República, destaca-se a redução 'da despesa total com a frota automóvel, designadamente com as viaturas de serviço afectas aos administradores do sector, relativamente ao valor executado em 2009'.
Contactado pelo CM, o Ministério da Saúde não revelou o valor que levou Ana Jorge a incluir esta medida na lista das reduções. 'Não está desagregado do total das despesas', disse fonte do gabinete de comunicação.
Ao contrário da despesa em farmácia hospitalar, que segundo as linhas de orientação não deve crescer acima dos 2,8%, ou do custo das horas extraordinárias que devem ser reduzidas em 5% e dos serviços externos em 2%, a percentagem da redução na frota automóvel não é discriminada.
Pela informação prestada pelos Centros Hospitalares à Direcção--Geral do Tesouro e Finanças sobre as remunerações e regalias dos membros dos Conselhos de Administração, os gastos com viaturas de serviço são consideráveis. Por exemplo, três membros da administração do Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga gastaram juntos, na rubrica 'valor de aquisição/renda da viatura de serviço,' mais de cem mil euros. Os cinco gestores do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes ultrapassaram os 150 mil euros e dois vogais do Centro Hospitalar do Médio Ave tiveram 30 mil euros cada para aquisição de automóveis.
ENFERMEIROS SAEM DO CODU
O secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro, já confirmou que os enfermeiros deixarão de trabalhar nos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), referindo que a presença daqueles profissionais naquele serviço sempre foi considerada 'transitória'. 'Os enfermeiros entraram em finais de 2007 para dar assistência à implementação das ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV). Findo este processo, deixa de fazer sentido que continuem', referiu à agência Lusa o governante. Para o secretário de Estado, os técnicos e os médicos nos CODU 'são suficientes para assegurar as condições de atendimento' daquele serviço. 'Estamos absolutamente seguros das condições de funcionamento dos CODU e que podemos dispensar os enfermeiros. A sua presença faz mais falta nos meios operacionais, nomeadamente nas ambulância do INEM [Instituto Nacional de Emergência Médica]', defendeu.
MAIS TRANSPORTE EM AMBULÂNCIA E MENOS TÁXIS
Alguns doentes do Centro de Saúde de Sacavém, que têm de se deslocar para fazer tratamentos de hemodiálise e que utilizavam táxis para o efeito, receberam indicação de que vão passar a ser transportados de ambulância.
Jorge Mesquita, filho de um dos utentes que faz o tratamento mais do que uma vez por semana, critica: 'O meu pai tem 71 anos, fazia o percurso de regresso em 15 minutos de táxi e agora vai passar a demorar quase uma hora porque, como transportam mais seis ou sete doentes, vão distribuí-los', conta.
Ileine Lopes, directora executiva do Agrupamento de Centros de Saúde de Loures, afirmou que as indicações são para os doentes serem transportados de ambulância, com vista a 'um bom serviço' e uma 'boa gestão de recursos'.
PORMENORES
CORTE DE 7 %
Hospitais têm de fazer cortes de 5% nas horas extras e 2% nos fornecimentos e serviços externos.
GUIA DE BOAS PRÁTICAS
Os organismos da administração central e regional do Ministério da Saúde têm de ter um guia de boas práticas para combater o desperdício.
POUPAR CINCO MILHÕES
Para poupar 5 milhões de euros ao SNS, as tiras de controlo da glicemia vão custar menos 10%. Omeprazol e sinvastatina (genéricos) baixam 20 a 25%.
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