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Ministério da Educação quer "sufrágio universal" para eleger diretores escolares

Diretores dos agrupamentos são eleitos pelo Conselho Geral, que integra representantes dos professores, pessoal não docente, encarregados de educação, alunos, autarquias e comunidade local.

22 de julho de 2026 às 16:31

O Ministério da Educação propõe que os diretores escolares sejam eleitos por "sufrágio universal" e que a presidência do Conselho Geral dos agrupamentos seja assumida por "alguém independente", segundo a Federação Nacional da Educação (FNE).

A intenção foi comunicada aos sindicatos de professores pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) durante as reuniões negociais realizadas esta quarta-feira.

À saída do encontro, o secretário-geral da FNE -- a primeira organização sindical reunida com a tutela -- relatou que, no âmbito da revisão do regime de autonomia, administração e gestão escolar e da criação do Estatuto do Diretor, o MECI pretende introduzir alterações à eleição dos órgãos sociais.

"O diretor deverá ser eleito por sufrágio universal", afirmou Pedro Barreiros, em declarações aos jornalistas, explicando que, para já, a tutela não explicou pormenores do modelo de eleição proposto.

Atualmente, os diretores dos agrupamentos são eleitos pelo Conselho Geral, que integra representantes dos professores, pessoal não docente, encarregados de educação, alunos, autarquias e comunidade local.

Os membros do Conselho Geral elegem igualmente o presidente daquele órgão, mas também aí o MECI pretende introduzir alterações, limitando os requisitos para ocupar o cargo.

"(O MECI) quer uma maior independência do diretor em relação ao Conselho Geral e, consequentemente, quer que o presidente do Conselho Geral não seja ninguém diretamente relacionado com o diretor ou com autarquia, e não querem que sejam um professor", disse o secretário-geral da FNE.

Segundo Pedro Barreiros, a tutela pretende que o cargo de presidente do Conselho Geral do agrupamento seja ocupado por "alguém independente, reconhecido no meio em que se enquadra a escola".

A propósito da revisão do regime de autonomia, administração e gestão escolar e da criação do Estatuto do Diretor, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) defendeu tratar-se de um tema alvo de negociação coletiva.

"Foi-nos dito que íamos ser ouvidos, mas nós não queremos ser ouvidos. É matéria de negociação obrigatória e nós queremos estar na negociação", disse um dos secretários-gerais, José Feliciano Costa.

O tema deverá ser novamente discutido com os representantes dos diretores escolares e os sindicatos de professores numa próxima reunião durante o mês de agosto, para que as alterações possam entrar em vigor no arranque do próximo ano letivo.

Nas reuniões desta quarta-feira, o MECI apresentou também a proposta final do modelo de recrutamento e colocação de docentes, elogiada pela FNE, mas criticada pela Fenprof, que pondera apresentar um pedido de negociação suplementar.

Foram ainda discutidas alterações ao decreto-lei de 2024 que estabeleceu medidas excecionais e temporárias para responder à falta de professores, adequando o plano + Aulas + Sucesso às atuais necessidades das escolas.

"O que desejamos é que este diploma possa ser extinto o mais rapidamente possível, porque isso significaria que deixavam de ser necessárias medidas extraordinárias para dar resposta às dificuldades do sistema", sublinhou Pedro Barreiros, da FNE.

Por sua vez, José Feliciano Costa, da Fenprof, insistiu que "o problema resolve-se com a valorização da carreira e isso não está a acontecer".

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