Marta Temido rejeita falhas ao plano, considerando que "não se pode confundir situações de abuso com a sua gestão, execução e qualidade".
A ministra da Saúde admitiu hoje, em Coimbra, que o Plano de Vacinação contra a covid-19 tem dificuldades na sua implementação, mas disse que a revisão das regras para reduzir a aleatoriedade do processo está a avançar.
"A revisão das regras que demonstram a necessidade de serem mais pormenorizadas, para que haja menos aleatoriedade [na vacinação], é uma realidade e está a ser feita", afirmou Marta Temido.
Rejeitando falhas ao plano, a governante considerou que "não se pode confundir situações de abuso com a sua gestão, execução e qualidade".
"Estamos a trabalhar com o coordenador da 'task force' para fazer isso, como antes estávamos a trabalhar com todos os elementos para garantir o melhor cumprimento do plano", salientou a ministra, que falava aos jornalistas no final de uma visita ao IPO de Coimbra, onde inaugurou o bloco operatório periférico e o setor de virologia do serviço de patologia clínica.
Marta Temido salientou que "os abusos serão enquadrados na sede própria e que o Ministério da Saúde não se absterá de garantir que isso aconteça", mas pediu "confiança nas pessoas que estão a trabalhar".
A ministra lamentou ainda que, no terreno, se esteja a lançar "um manto de suspeição sobre todos aqueles que procuram fazer o melhor nos serviços de saúde".
A titular da pasta da Saúde adiantou ainda que a Inspeção Geral das Atividades em Saúde tem estado a trabalhar em todo o país "de uma forma que permita a identificação de situações [abusivas], que depois "mereçam recomendações para correção".
Mantendo a prioridade de ter, "pelo menos", 80% das pessoas com mais de 80 anos vacinadas até ao final do primeiro trimestre, Marta Temido disse que o sistema de identificação deste grupo etário começou esta semana a ser aplicado em Lisboa e Porto e vai ser alargado a todo o país.
No caso da região Centro, a presidente da Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC), Rosa Reis Marques, disse à agência Lusa que o processo de vacinação deste grupo etário deverá começar no final da próxima semana.
O novo bloco operatório periférico do Instituto Português de Oncologia de Coimbra, com duas salas cirúrgicas, custou 1,8 milhões de euros e representa o primeiro passo da empreitada de ampliação e requalificação do Edifício de Cirurgia, que foi adjudicada por 27,9 milhões de euros e deverá ter início no segundo trimestre deste ano.
Segundo a presidente do IPO de Coimbra, Margarida Ornelas, o bloco vai entrar em funcionamento este mês, com a realização de cirurgias de ambulatório, nomeadamente de Dermatologia, Cirurgia Geral e Urologia.
O IPO de Coimbra investiu ainda 200 mil euros na reconfiguração do Setor de Virologia, integrado no Laboratório de Patologia Clínica, o qual "visa capacitar a instituição e a região Centro de uma infraestrutura cabal do ponto de vista técnico e científico" para dar resposta laboratorial ao diagnóstico do novo coronavírus.
Além destes investimentos, estão em curso as obras de instalação de dois novos aceleradores lineares e que visam substituir outros dois equipamentos, com mais de uma década de atividade, reforçando o posicionamento do IPO de Coimbra "como instituição de referência na região Centro no que concerne aos tratamentos de radioterapia", salientou Margarida Ornelas.
A entrada em funcionamento do primeiro acelerador linear está previsto para o primeiro semestre deste ano e o segundo equipamento no final de 2021.
Os dois equipamentos correspondem a um investimento superior a 5,8 milhões de euros.
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