De acordo com Marta Temido o SNS vive agora uma "nova realidade".
A ministra da Saúde, Marta Temido, reiterou esta quarta-feira que os primeiros cinco meses de 2021 confirmam a recuperação da atividade assistencial no Serviço Nacional de Saúde (SNS) afetada pela pandemia de covid-19 no ano transato.
De acordo com a governante, que foi ouvida na comissão de saúde da Assembleia da República, o SNS vive agora uma "nova realidade" face ao decréscimo de atividade em 2020 ao nível de consultas médicas, de enfermagem e de outros técnicos de saúde, bem como em termos de cirurgias realizadas, assumindo inclusivamente que "são impressionantes" os números da recuperação.
"Em maio de 2021 foram realizadas mais três milhões de consultas do que em idêntico período de 2020. E não se diga que estamos a comparar dois períodos que são muito distintos nas suas características - de facto, estamos -, porque, também, relativamente ao idêntico período de 2019, o SNS regista um acréscimo de 1,6 milhões de consultas nos cuidados de saúde primários", referiu.
Já nas consultas de enfermagem entre janeiro e maio deste ano "foram feitas mais de quatro milhões de consultas do que em período homólogo e mais 3,1 milhões de consultas do que em 2019", com a ministra a sublinhar ainda "a melhoria" nos indicadores relativos a consultas prestadas por outros técnicos, tanto face a 2020 como 2019.
No que toca à atividade hospitalar, Marta Temido assinalou que "está a ficar novamente em linha com valores anteriores", na medida em que se efetuaram mais 7% de consultas médicas hospitalares em 2021 - 785 mil consultas - quando comparadas com igual período do ano passado. No entanto, revelou haver ainda uma "redução de dois por cento" face ao mesmo período de 2019, ou seja, ainda aquém da atividade pré-pandemia de covid-19.
"Relativamente à área das cirurgias, a mesma coisa: um acréscimo nos cinco primeiros meses deste ano de 76 mil cirurgias face ao período homólogo de 2020 e uma redução de nove mil cirurgias, portanto, uma atividade já relativamente em linha", acrescentou Marta Temido.
Por fim, a governante relativizou a redução de 11% no recurso a urgências face a maio de 2020 e ainda "mais significativa" em relação ao mesmo período de 2019, por considerar que este aspeto "é uma área em que o país tem um comportamento tradicionalmente distinto de outros países" e que os "indicadores têm de ser lidos nesse contexto" específico.
"Não era expectável que o SNS passasse incólume e sem dor a tudo aquilo que foi a necessidade de resposta à pandemia para salvar vidas e o percurso de recuperação que tem sido feito este ano tem ombreado com os melhores esforços dos profissionais de saúde ao longo de 2020 para combater a pandemia. Além de combatermos a pandemia, os profissionais estão neste momento a recuperar com muito esforço atividade assistencial que tinha ficado prejudicada", sentenciou.
Em Portugal, desde o início da pandemia, em março de 2020, morreram 17.126 pessoas e foram registados 896.026 casos de infeção, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.
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