Mais de 500 pessoas assinaram o movimento a exigir o fim dos maus odores.
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Uma petição promovida em Macinhata da Seixa reúne já mais de 500 assinaturas exigindo o fim dos maus odores e descargas poluentes emitidos por uma exploração agropecuária nessa freguesia de Oliveira de Azeméis, revelou hoje porta-voz dos subscritores.
Segundo Ana Paula Tavares, que é a dinamizadora da petição "a título pessoal", mas assume ser parte integrante do Executivo da Junta de Freguesia local, em causa estão as críticas à Bigue Pigue - Sociedade Agropecuária de Macinhata da Seixa Lda., que já aí "existe há mais de 30 anos e sempre causou mais cheiros, mas nunca como agora".
A porta-voz do abaixo-assinado disponível apenas em papel explica à Lusa: "A pocilga sempre causou mau cheiro, mas antes era só de vez em quando, cerca de uma vez por semana, e a gente lá ia aguentando. De há dois anos para cá é que passou a ser todos os dias, não necessariamente de manhã à noite, mas com frequência constante e ainda mais intensidade".
Consoante a direção do vento, a situação provocada pelos 1.900 porcos dessa unidade agropecuária vem assim afetando desde habitações localizadas "a uma dezena de metros da exploração" como casas situadas "a um ou dois quilómetros" e até a comunidade residente em freguesias limítrofes "como Travanca e Ul".
Além da poluição olfativa, Ana Paula Tavares também acusa a Bigue Pigue de realizar "descargas de esgotos numa linha de água" que, correndo nas proximidades da exploração, acaba por desaguar no rio Ínsua e deixa assim "um rasto de poluição atrás, todo a céu aberto".
Para o presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, Joaquim Jorge Ferreira, "este é um problema que tem que ser analisado" e, nesse sentido, está prevista para a próxima semana uma inspeção à referida unidade agropecuária, com técnicos da autarquia, da Unidade de Saúde Pública local, da Autoridade para as Condições do Trabalho e da Agência Portuguesa do Ambiente - à qual caberá representar também a Administração Regional Hidrográfica do Centro.
"Caberá a estas entidades averiguar se todos os requisitos exigidos por lei estão a ser cumpridos e, mesmo que estejam, definir que medidas devem ser adotadas para garantir qualidade de vida à população da zona", declara o autarca.
Contactado pela Lusa, o proprietário da Bigue Pigue, Juvenal Petiz, diz que nada se alterou na atividade da exploração para justificar que a sua vizinhança apresente agora mais queixas e afirma: "Não tenho explicação para isso".
O empresário rejeita quaisquer responsabilidades por efluentes encaminhados para linhas de água, mas admite proceder a "descargas de esgotos nuns terrenos próximos", para o que diz possuir autorização dos devidos proprietários, que assim "ficam com estrume para a sementeira de milho".
Afirmando dar emprego a duas pessoas numa unidade em que "está tudo automatizado", Juvenal Petiz diz-se disponível para implementar medidas que minimizem os maus odores e apela: "Se alguém souber como mudar isto para melhor, que me diga, que eu tento fazê-lo".
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