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Morreu João Lobo Antunes

Neurocirurgião morre aos 72 anos, vítima de doença prolongada.

27 de outubro de 2016 às 15:50

O neurocirurgião João Lobo Antunes morreu esta quinta-feira, aos 72 anos, vítima de doença prolongada.

João Lobo Antunes, presidia ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, cargo que deixou de exercer em junho de 2015, por já estar com a saúde debilitada.

O neurocirurgião, que foi professor na Faculdade de Medicina de Lisboa, deixa quatro filhas (a mais conhecida é a atriz Paula Lobo Antunes, casada com o ator Jorge Corrula) e oito netos.

João Lobo Antunes nasceu em 1944 e, para além do nome do pai, herdou também a vocação: licenciou-se em Medicina pela Universidade de Lisboa em 1968. O pai, também neurologista, colaborou com Egas Moniz, facto nunca esquecido por Lobo Antunes e que o levou a publicar uma biografia do Nobel da Medicina português.

Com uma carreira que se estendeu por mais de 50 anos, especializou-se em neurocirurgia nos Estados Unidos, tendo trabalhado no Instituto Neurológico da Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

Foi mandatário das candidaturas de Jorge Sampaio e Cavaco Silva à Presidência da República e ainda membro do Conselho de Estado até ao início de 2016.Foi Vice-Presidente para a Europa do World Federation of Neurosurgical Society (1990), Presidente da Sociedade Europeia de Neurocirurgia (1999-2003), do Conselho Superior de Ciência, Tecnologia e Inovação (2003-2006), da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa e da Academia Portuguesa de Medicina e Professor Convidado da Universidade de Pequim.

O neurocirurgião dedicou-se principalmente ao estudo do hipotálamo e da hipófise.

No ano passado, foi-lhe atribuído o Prémio Nacional de Saúde 2015, altura em que foi recordado como o primeiro médico da história a implantar um olho eletrónico num cego, um implante que desde então já foi feito em 15 invisuais, permitindo-lhes ver algumas formas e distinguir certas cores.

No último dia de 25 de abril recebeu das mãos do Presidente da República a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade. Já antes tinha recebido a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e a Grã Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.

Depois de agraciado em 1996 com Prémio Pessoa, recebeu em 2003 a Medalha de Ouro de mérito do Ministério da Saúde e em 2013 o Prémio da Universidade de Lisboa.

Foi Vice-Presidente para a Europa do World Federation of Neurosurgical Society (1990), Presidente da Sociedade Europeia de Neurocirurgia (1999-2003), do Conselho Superior de Ciência, Tecnologia e Inovação (2003-2006), da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa e da Academia Portuguesa de Medicina e Professor Convidado da Universidade de Pequim.

Tal como o irmão mais velho, o celebrado escritor português António Lobo Antunes, João Lobo Antunes nutria grande gosto pela literatura.

Foi sempre um aluno exemplar e dizia-se exigente consigo próprio e prefeccionista. Para além da neurocirurgia, deixa reflexões sobre a Medicina e sobre a natureza humana.

O velório de João Lobo Antunes ocorre esta sexta-feira, a partir das 18h00, na Basílica de Estrela, em Lisboa. No sábado, será celebrada no local uma missa de corpo presente, pelas 9h00.

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