Chegou a ser alvo de uma tentativa de homicídio por parte da PIDE.
O general do Exército João de Almeida Bruno morreu hoje aos 87 anos no Hospital das Forças Armadas, em Lisboa, anunciou o Ministério da Defesa Nacional, endereçando condolências à família.
Numa nota enviada à imprensa, a ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras, "envia as suas condolências à família do general João de Almeida Bruno, que faleceu no Hospital das Forças Armadas, em Lisboa".
"Incorporado no Exército em 1952, Almeida Bruno serviu as Forças Armadas e o país ao longo de mais de quatro décadas, num percurso que culminou como Presidente do Supremo Tribunal Militar, entre 1994 e 1998, momento da sua passagem à situação de reforma", lê-se na nota.
De acordo com o Exército, que também expressou "profundo pesar" pela morte do general, o velório vai realizar-se esta quinta-feira, 11 de agosto, a partir das 15:00, na Capela da Academia Militar, em Lisboa, e a missa de Corpo Presente será celebrada na sexta-feira, 12 de agosto, às 14h00, seguindo-se o funeral para o Cemitério do Alto de São João, em Lisboa, a partir das 15h00.
O general João de Almeida Bruno nasceu em 30 de julho de 1935, na freguesia de Santa Isabel, concelho de Lisboa.
Integrou o curso na Escola do Exército, local onde teve como colegas de curso Ramalho Eanes, Melo Antunes, Loureiro dos Santos e Jaime Neves.
Na sua carreira foi distinguido com a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, com as medalhas de Valor Militar e da Cruz de Guerra, e com a Ordem Militar de Avis, entre outras condecorações.
Entre vários cargos, foi chefe da casa militar do Presidente da República de maio a setembro de 1974, período em que António de Spínola era chefe de Estado. Foi membro da ala 'spinolista' do Movimento das Forças Armadas.
Foi também comandante do Batalhão de Comandos da Guiné e inspetor-geral do Exército.
Almeida Bruno foi ainda membro da delegação portuguesa às negociações com o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC,), em Londres, em 1974, e do Conselho de Estado.
Ocupou o cargo de comandante da Academia Militar e em dezembro de 1980 nomeado comandante-geral da Polícia da Segurança Pública (PSP).
Aquando da revolta das Caldas da Rainha, em março de 1974, prelúdio do 25 de Abril, foi alvo de uma tentativa de assassinato pela polícia política do Estado Novo, a PIDE.
Numa nota enviada à imprensa, o Exército português diz estar "de luto, por ter deixado de contar com um dos seus brilhantes servidores, expressando o maior respeito e honrando a memória deste notabilíssimo soldado do Exército Português".
"A vida e legado do General Almeida Bruno são, assim, razão de profundo orgulho para o Exército, pela carreira distinta de um dos seus mais brilhantes soldados, motivo do maior respeito pela sua memória e fator de motivação para todos os que nele servem", rematam.
O Presidente da República já lamentou a morte demonstrando "respeito, admiração e amizade" ao General João de Almeida Bruno e "apresentando as suas condolências à Família e ao Exército Português, que serviu com independência, sentido de missão e devoção integral".
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