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Morreu o padre antifascista, Mário de Oliveira

Mário de Oliveira foi vítima de um acidente de viação.

25 de fevereiro de 2022 às 10:10

"Decidiu tornar-se luz e evoluiu para um nível cósmico mais elevado". Foi assim que a Associação Cultural e Recreativa As Formigas da Macieira, em Felgueiras, anunciou esta quinta-feira a morte do seu mentor, Mário de Oliveira, de 84 anos.

O antigo padre morreu no Hospital de Penafiel, onde estava internado desde o final de janeiro devido a um acidente de viação. Destacou-se pelas posições públicas no combate ao fascismo, tendo sido detido duas vezes pela PIDE, acusado de subversão. Levado a julgamento, foi absolvido. Crítico da Igreja Católica, escreveu o livro ‘Fátima, nunca mais’, tendo sido proibido de exercer o ofício pastoral nos anos 70. Passou a ser padre sem serviço de sacerdócio. Era conhecido por padre Mário da Lixa, devido à ligação à comunidade de Macieira da Lixa. Criou As Formigas da Macieira, que dinamiza o Barracão de Cultura, espaço de atividades culturais onde será velado. O funeral é no cemitério de Macieira da Lixa, em data a determinar, porque falta saber se o corpo será autopsiado.

Perfil

Mário Pais de Oliveira

nasceu há 84 anos em Lourosa, Santa Maria da Feira. Entrou para o Seminário da Diocese do Porto em 1950 e foi ordenado padre em 1962. Rumou à Guiné-Bissau, como capelão das tropas portuguesas, mas só lá esteve quatro meses, devido às posições contra a guerra colonial. Já na metrópole, depois de afastado do ofício pastoral, tornou-se jornalista em 1975, passando pelo ‘República’, ‘Página Um’, ‘Correio do Minho’ e ‘Fraternizar’. Escreveu 52 livros, muitos a denunciar como a Igreja Católica desvirtuou a mensagem de Jesus Cristo.

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