Desigualdades e assimetrias regionais em saúde persistem e até se têm agravado, afirma o Movimento Democrático de Mulheres.
O Movimento Democrático de Mulheres (MDM) alertou esta segunda-feira para "os retrocessos no acesso" das mulheres aos cuidados de saúde, considerando que as fraquezas do Serviço Nacional de Saúde (SNS) as atingem particularmente.
Em comunicado divulgado na véspera do Dia Mundial da Saúde, o MDM diz ser "impossível ignorar os retrocessos no acesso das mulheres à saúde", acrescentando que o SNS "enfrenta fragilidades que atingem de forma particular as mulheres, refletindo opções políticas que não podem continuar".
"As desigualdades e assimetrias regionais em saúde persistem e até se têm agravado, devido à suborçamentação e desinvestimento, refletindo-se em diversas áreas da saúde da mulher no acesso ao SNS", adianta o movimento criado em 1968.
O MDM alertou para "um nível de acesso baixo a cuidados de saúde de obstetrícia", agravado com os "encerramentos temporários ou definitivos" destas urgências, para o aumento dos utentes que esperam para aceder às técnicas de Procriação Medicamente Assistida (PMA) e para as dificuldades relativas à Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG).
Assinala ainda que "as mortes por doença do aparelho circulatório afetam mais as mulheres, assim como as doenças cerebrovasculares" e que "os tempos de espera têm estado frequentemente acima dos limites máximos garantidos nas consultas hospitalares", tendo duplicado nas cirurgias cardíacas mais graves.
Face à situação, o MDM salienta ser "urgente uma mudança nas políticas públicas de saúde", que tenha em conta as especificidades das mulheres e promova uma "maior humanização, a equidade no acesso à prevenção, acompanhamento e tratamento", combatendo "as desigualdades que ainda persistem".
Propõe como prioridade o investimento nos profissionais de saúde, quer em termos de remunerações e condições de trabalho, quer ao nível da formação na área da Saúde Sexual e Reprodutiva.
O cumprimento efetivo da lei da IVG, o reforço dos cuidados de saúde primários para garantir acesso rápido, às consultas de planeamento familiar e à contraceção mais adequada, assim como o acesso à educação sexual na escola, "abrangendo todas as dimensões da sexualidade que responda às necessidades da juventude", são outras das medidas propostas pelo MDM.
"O SNS tem de ter um olhar específico para as adolescentes, imigrantes e para as situações de pobreza extrema", defende.
Considerando que "a saúde da mulher é uma questão de relevância pública e política, com repercussões de grande alcance social e económico, e um indicador inquestionável do desenvolvimento do país e da igualdade", o movimento também apela à mobilização das mulheres para defenderem os seus direitos, como o da saúde.
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