Foi a pensar que a estrada “é um local perigoso para peregrinos” que o destacamento territorial das Caldas da Rainha da GNR está a sugerir algumas alternativas para que peões e veículos não circulem na mesma via, arranjando caminhos que, para além de mais seguros, são mais curtos em distância.
Os peregrinos oriundos da região Oeste são confrontados este ano com uma inovação proporcionada pela GNR, que emitiu folhetos e marcadores com caminhos alternativos e conselhos de segurança. No terreno, meia centena de militares concentra-se em pontos estratégicos de passagem e dá orientação aos fiéis no percurso até ao santuário de Fátima.
"Quando circulam veículos e peões ao mesmo tempo é preciso ter muito cuidado, para evitar acidentes", sublinhou a comandante do destacamento das Caldas da Rainha, capitão Ana Vaz, fazendo notar que muitas vezes "as pessoas andam menos atentas". No âmbito da operação "Peregrinação Segura 2012", a decorrer a nível nacional de 28 de Abril a 13 de Maio, pelos vários postos do destacamento foram distribuídos 100 folhetos e 100 marcadores para entregar aos grupos de peregrinos.
"Dão alguns conselhos para que façam o percurso em segurança e encaminham para itinerários em que haja menos trânsito e que são uma mais-valia, porque o percurso é menor", indicou a responsável da GNR.
Não sendo possível fazer o acompanhamento a par e passo de cada grupo de peregrinos, a GNR coloca-se em "sítios fulcrais", de forma a que "haja visibilidade da nossa presença para os veículos que circulam".
A GNR aproveita este "policiamento de proximidade" para patrulhar a área, estando atenta a outro tipo de possíveis ocorrências.
"Os peregrinos sentem-se mais seguros e ficam surpresos com a pequena novidade este ano. Têm mostrado interesse, gostaram e agradecem", comentou Ana Vaz, satisfeita por até agora não ter sido registado qualquer acidente, embora se espere maior movimento de fiéis nos próximos dias.
O destacamento também tem contactado com os párocos da região, para informarem os grupos que estão previstos saírem em peregrinação. "Os padres são importantes para auxiliarem na divulgação dos conselhos de segurança, e vamos reunir com eles também para os sensibilizar a passar outras mensagens às pessoas de idade, por causa das burlas e roubos. São coisas que as pessoas descuram mas que através dos párocos e das missas podemos chegar a mais população e alertá-la", revelou a comandante.
ALTERNATIVAS
Em Óbidos são apontados dois caminhos alternativos. Quem passa pela estrada nacional junto à saída da A8 de São Mamede, ao avistar o túnel por debaixo da auto-estrada, pode tomar o caminho à sua esquerda até à localidade de A-da-Gorda e depois por uma estrada municipal até Óbidos, em vez da estrada nacional. Já na vila medieval, a GNR sugere que se entre nas muralhas do castelo, passando pela Rua Direita e pelo posto da GNR, até à saída na Cerca do Castelo, descendo até à passagem de nível, seguindo-se depois para a direita, na direcção do Casal Avarela e Bairro da Senhora da Luz, até Caldas da Rainha, em vez de se percorrer a movimentada EN8.
CONSELHOS
"Sempre que possível escolha estradas com menos trânsito. Evite os Itinerários Principais e Complementares. Caminhe em fila indiana, sempre pela berma, o mais afastado possível da faixa da rodagem e no sentido contrário ao do trânsito", aconselha a GNR nos folhetos que distribui.
Outra recomendação é o uso, seja de dia ou de noite, do colete reflector. "Desta forma está a tornar-se visível a todos os automobilistas", refere.
O início e o fim do grupo devem ser sinalizados, e quando se parar para descansar, deve-se fazê-lo o mais afastado possível da faixa de rodagem. Atravessar a via deve implicar especiais cuidados.
Evitar caminhar sozinho, ser portador de identificação, não utilizar auscultadores ou rádio, não levar dinheiro em excesso nem usar jóias valiosas, são outros conselhos.
TESTEMUNHOS
Luísa Ramos, 68 anos, Ferrel (Peniche)
"Faço esta peregrinação duas vezes por ano, há seis anos. Acompanho o meu filho. A dificuldade é nas pernas e pés. Andamos todos partidos. É a primeira vez que a GNR nos acompanha. Sinto-me bem assim, é um percurso com mais segurança. Gosto de ver a GNR."
Vítor Jorge, 46 anos, Ferrel (Peniche)
"Vou descalço por uma promessa que fiz numa altura em que não tinha trabalho e a vida começou a dificultar e eu disse que se ficasse melhor ia dez vezes a Fátima descalço. É a primeira vez assim, mas já fui 18 vezes. A família acompanha-me. Não comunicámos à GNR. A GNR é que veio ter connosco e desde Ferrel que nos acompanha. É outra segurança. Os automobilistas têm outro respeito, porque passavam por nós e faziam de conta que não éramos ninguém, só apitavam. Agora afrouxam e deixam-nos passar."
Zélia Fidalgo, 38 anos, Ferrel (Peniche)
"Já sou uma habitual peregrina há vários anos, em Maio e Outubro. Venho acompanhar o meu primo, que fez a promessa. Costumamos demorar um dia e meio, mas com mais pessoas gastamos mais tempo. No ano passado tivemos a polícia de mota num dos pontos, mas este ano acompanha-nos desde casa. Dá-nos uma segurança muito maior, porque as pessoas de carro não têm respeito nenhum e quando vêem os peregrinos parece que ainda fazem de propósito e apitam, aceleram, gozam e não fazem caso nenhum das pessoas que vêm na estrada. Assim há um respeito, porque vêm mais devagar. Era muito bom que este serviço de acompanhamento fosse todos os anos. Mesmo só um militar, com a farda, era uma segurança. Nós não temos estradas em condições para os peregrinos. Este ano também aprendemos caminhos alternativos através da GNR. Poupou-nos pelo menos dois quilómetros. E já nos deram outra sugestão para Outubro."
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