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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Ordem dos Enfermeiros pede revogação de lei que regula curso de enfermagem

Ordem considera que curso está desfasado da realidade.

18 de março de 2026 às 21:46

A Ordem dos Enfermeiros (OE) enviou esta quarta-feira à Assembleia da República um pedido urgente de revogação do decreto-lei que regula há 40 anos o curso superior de enfermagem, considerando que está desfasado da realidade.

Em resposta a questões da Lusa, a Ordem dos Enfermeiros explicou que essa lei impõe, "de forma rígida e desatualizada, que a licenciatura em enfermagem fique confinada ao subsistema politécnico, mesmo quando a escola já está integrada numa universidade". As escolas superiores de enfermagem passaram a integrar as universidades de Lisboa, Porto e Coimbra.

"As escolas de enfermagem que estão integradas nas respetivas universidades, embora sejam unidades orgânicas de ensino e investigação das universidades, mantêm a sua natureza politécnica para todos os efeitos, incluindo o estatuto da carreira docente. É esta a contradição de base", enquadrou a ordem.

A ordem considerou que na vida dos alunos esta situação cria "um percurso académico artificialmente partido".

"Um estudante pode estar numa escola integrada numa universidade, beneficiar do ecossistema universitário, da investigação e da internacionalização dessa universidade, mas a sua licenciatura continua juridicamente presa ao subsistema politécnico. Na prática, o ensino de enfermagem fica separado da restante lógica universitária da própria instituição, apesar de a mesma universidade poder acolher investigação avançada e programas de 2.º e 3.º ciclos [mestrados e doutoramentos] na mesma área científica. Isso cria uma incoerência académica e institucional", observou.

Por outro lado, trata-se de um regime legal antigo que foi pensado para uma "realidade que já não existe e continua a produzir um efeito restritivo relevante".

Considerou ainda que "a enfermagem de hoje exige articulação plena entre ensino, investigação e prática clínica, e essa coerência fica prejudicada quando a universidade pode acolher investigação e formação avançada na área, mas continua impedida de oferecer a licenciatura como formação universitária".

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