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Ordem dos Médicos questiona tutela sobre Hospital da Cruz Vermelha

O bastonário da Ordem dos Médicos questionou o Ministério da Saúde sobre as autorizações especiais que foram dadas ao Hospital da Cruz Vermelha para operar crianças, uma vez que "há capacidade nos hospitais públicos".

16 de março de 2012 às 11:02

"Defendemos o princípio genérico - que o próprio ministro da Saúde também diz defender - que se deve maximizar a capacidade instalada do Serviço Nacional de Saúde (SNS)", disse hoje José Manuel Silva.

Conforme a Lusa divulgou recentemente, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) ignorou a disponibilidade dos hospitais públicos para operarem uma criança com dez meses, tendo autorizado esta operação e mais outras cinco no Hospital da Cruz Vermelha (HCV).

Ao tomar conhecimento deste assunto, o Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) comunicou à ARSLVT, com conhecimento à tutela, "a sua total disponibilidade para, em tempo útil, realizar a respectiva intervenção cirúrgica, bem como qualquer outra que seja necessária a crianças que se encontrem em situação idêntica".

O secretário de Estado e Adjunto da Saúde Leal da Costa respondeu no sentido de garantir que "iria reencaminhar a informação recebida à ARSLVT, para esta tomar as iniciativas entendidas como necessárias e divulgar publicamente que o SNS tem capacidade instalada para resolver todas as necessidades de cirurgia cardíaca pediátrica, nomeadamente através do CHLC -- Santa Marta", segundo este centro hospitalar.

Apesar desta informação, e do protocolo com o HPV estar suspenso, o presidente da ARSLVT optou por dar uma autorização especial para a cirurgia se realizar neste hospital, bem como mais cinco.

Perante isso, José Manuel Silva escreveu à ARSLVT e ao Ministério da Saúde a questionar as razões que terão levado a estas autorizações especiais da ARSLVT.

"Sabemos que há capacidade instalada nos hospitais públicos e, à partida, esperamos que essa capacidade seja utilizada próximo da sua capacidade máxima", adiantou à Lusa.

José Manuel Silva lembrou que "também é papel da Ordem dos Médicos zelar pela gestão rigorosa dos bens públicos, principalmente numa fase em que o SNS está a ser esticado de forma extrema"

O Ministério da Saúde prepara-se, entretanto, para reactivar o protocolo com o HCV, estando previstos nove milhões de euros em serviços que serão prestados por esta unidade de saúde aos utentes do SNS.

Sobre a reactivação deste protocolo, o bastonário da Ordem dos Médicos disse desconhecer os contornos do mesmo, mas adiantou: "Ficaríamos muito estupefactos se [a reactivação do protocolo] fosse por outra razão além da incapacidade do sector público".

"Mas é o próprio ministro da Saúde que diz que há capacidade no sector público, por isso não entendemos", sublinhou, escusando-se a desenvolver mais comentários por não conhecer o teor do protocolo.

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