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Correio da Manhã

Sociedade
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Ordem quer reduzir preço dos genéricos

O bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, propôs ontem ao Governo uma redução de 10 por cento no preço dos medicamentos genéricos, permitindo "uma poupança imediata de 40 milhões de euros ao erário público e aos doentes".
8 de Fevereiro de 2011 às 00:30
O decreto-lei de Dezembro de 2010 permite que os doentes troquem o remédio receitado por outro idêntico
O decreto-lei de Dezembro de 2010 permite que os doentes troquem o remédio receitado por outro idêntico FOTO: Sérgio Lemos

Em conferência de imprensa, a Ordem dos Médicos tomou posição contra a prescrição por Denominação Comum Internacional (DCI), que permite a troca de marcas na farmácia, considerando-a "um acto tecnicamente errado e extremamente prejudicial ao doente". O bastonário, que se reuniu ontem com a ministra da Saúde, Ana Jorge, defendeu que se a razão da substituição dos remédios é o custo, então "marque-se o mesmo valor para todas as marcas do mesmo princípio activo". "Propomos que esse valor seja reduzido de imediato em 10 por cento, porque há margem para isso", defendeu, sugerindo contudo "uma análise da situação da indústria farmacêutica nacional."

A Associação Portuguesa de Medicamentos Genéricos reagiu com desagrado. "Os genéricos custam hoje menos de metade do que no final de 2008 e não há espaço para descer mais o preço", disse ao CM Paulo Lilaia, presidente da APOGEN. Já João Cordeiro, da Associação Nacional de Farmácias, disse ao CM que "este bastonário continua a falar pela boca da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica".

Em causa está um decreto-lei de Dezembro de 2010, que obriga os médicos a receitar medicamentos por princípio activo, podendo o doente, na farmácia, trocá-lo por outro com o mesmo princípio activo, a menos que o médico o proíba. A Ordem dos Médicos defende que "o efeito terapêutico das várias marcas do mesmo princípio activo pode ser significativamente díspar". Já Paulo Lilaia afirma que "é aceite em todo o mundo desenvolvido que quando os medicamentos são considerados bioequivalentes, têm a mesma eficácia".

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