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Os dois ciclos mais afetados por esta alteração totalizam cerca de 900 alunos, 338 do 2.º ciclo e 569 do 3.º ciclo.
Centena e meia de pais pediram a intervenção da DGESte para alterar os horários definidos para os alunos do segundo ciclo na Escola Pêro de Alenquer, alegando que a mudança para o horário da tarde prejudicará 338 alunos.
A contestação tem por base a alteração dos horários divulgada pelo Agrupamento de Escolas Damião de Goes, onde se integra a Escola Básica Pêro de Alenquer, dando nota de que os alunos do 5.º e 6.º anos, que no último ano letivo tiveram aulas de manhã, passarão, este ano letivo, para o horário da tarde.
A decisão originou "manifestações de desagrado e revolta por parte de diversos pais e encarregados de educação", disse à agência Lusa o presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas Damião de Goes (APADG), Nuno Oliveira, que enviou à Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGESte) um pedido de "intervenção imediata".
A discordância havia já sido transmitida à direção do agrupamento e terá levado à realização de uma reunião extraordinária do Conselho Pedagógico, órgão responsável pela elaboração dos horários, e que justificou a medida com o critério de equidade.
Na resposta à APADG, a direção da escola considerou "ser muito difícil reverter a mudança" dos horários, alegando que tal "comprometeria o início das atividades letivas".
Tanto mais que, referiu a direção da escola, no dia 01 de setembro tem início a segunda fase dos exames nacionais "o que implica uma logística organizacional muito minuciosa, exigindo vigilâncias e correção de exames".
Ainda que admitindo como legítimas as preocupações dos pais, a escola remeteu para o ano letivo 2022/2023 a atribuição do horário da manhã ao 2.º ciclo.
Posteriormente, a associação enviou, na segunda-feira, uma exposição à DGESte, assinada por 146 pais, que exigem a alteração dos horários, com base em três critérios: componente pedagógica, segurança dos alunos e acompanhamento familiar.
No documento, a que a agência Lusa teve acesso, alegam que a componente pedagógica será prejudicada dada a menor "capacidade e predisposição de miúdos de nove e 10 anos para iniciar o período escolar pelas 13:40, possivelmente após terem já estado em diversas atividades durante o período da manhã".
"Os próprios professores irão, com toda a certeza, sentir muito mais dificuldades em captar a atenção dos alunos e em ensinar", pode ler-se na exposição em que os pais dizem não entender "como pode esta opção ser defendida pelo Conselho Pedagógico".
No que toca à segurança dos alunos, "nomeadamente os que necessitam de se deslocar sozinhos, por impossibilidade de os pais os irem buscar ou dificuldades financeiras para contratação de um serviço de transporte", a APADG considera que "podem deslocar-se com muito maior segurança" no horário da manhã, lembrando que "ocorrem com frequência enganos dos alunos em apanhar o autocarro correto e que a empresa de transportes tenta ajudar a resolver, responsabilizando-se por ficar com eles até que os pais os possam ir buscar ou trazendo-os inclusivamente de volta para a escola".
E por último, referem, o acompanhamento familiar fica "impactado drasticamente" com a saída dos alunos às 18:30, face à "incapacidade dos pais os poderem acompanhar nos trabalhos de casa", sendo "toda a logística de trabalhos de casa, banhos e jantar fortemente afetada ou mesmo impossível de realizar".
Se os horários não forem alterados para o período da manhã os pais "podem vir a ser obrigados a procurar resposta fora do agrupamento, o que para além dos óbvios transtornos que irá causar à gestão e organização da sua vida familiar é também altamente prejudicial para a organização da autarquia em termos de transportes e demais apoios a famílias carenciadas ou mesmo o aumento muito acentuado do número de crianças sinalizadas pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens", alerts a associação.
Além disso, defendem os pais, ainda há tempo para "desencadear e cumprir todas as formalidades processuais, a tempo de evitar situações ainda mais dramáticas do que aquelas já atualmente vividas por crianças, alunos, pais e encarregados de educação nestes tempos de pandemia" de covid-19.
Os pais pediram à DGESte que "dê início imediato ao processo de averiguação e reposição da normalidade, apoiando a Direção através de todos os meios necessários que permitam reverter a decisão "e alterar os horários".
À agência Lusa vários pais queixaram-se ainda da dificuldade em encontrar ATL's para os alunos e admitiram avançar com o fecho da escola se a situação não for revertida
O Agrupamento de Escolas Damião de Goes, em Alenquer, no distrito de Lisboa, conta com mais de 2.700 alunos, desde a pré-primária ao ensino secundário.
Os dois ciclos mais afetados por esta alteração totalizam cerca de 900 alunos, 338 do 2.º ciclo e 569 do 3.º ciclo.
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