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“Para mim é viver um dia de cada vez”: Nuno Ferrão convive diariamente com a esclerose múltipla

Nuno Ferrão aprendeu a não antecipar o futuro.

30 de agosto de 2026 às 01:30
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“Para mim é viver um dia de cada vez”: Nuno Ferrão convive diariamente com a esclerose múltipla

Nuno Ferrão é apaixonado por histórias: algumas reais, outras fruto da imaginação. Durante anos, contou-as como jornalista. Hoje, aos 52 anos, é escritor e convive diariamente com a esclerose múltipla. Aos 30 anos tinha sido pai, trabalhava na agência Lusa e vivia uma fase tranquila da vida.

“O primeiro sintoma apareceu quando estava a fazer uma notícia sobre o Vítor Baía. Os meus dedos começaram a tremer de forma incontrolável”, recorda. “A doença interfere na comunicação entre o cérebro e o corpo.

Na altura, era editor, mas os problemas de memória obrigaram-me a parar.” A esclerose múltipla é uma doença neurológica, crónica e autoimune que afeta o sistema nervoso central. No caso de Nuno, a doença “agravou-se no momento da separação com a ex-mulher”.

“Foram dois anos horríveis de depressão. Fechei-me em casa a ver filmes, a escrever e a ler e fui-me degradando muito rapidamente”, admite. O neurologista explicou-lhe que a depressão está também associada à própria doença, e Nuno percebeu que tinha de reagir. Para se deslocar, recorre a um andarilho e, em alguns momentos, a cadeira de rodas. Apesar das dificuldades, Nuno aprendeu a não antecipar o futuro: “Para mim é um dia de cada vez.”

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