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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Parlamento aprova IVA zero em cabaz de 44 alimentos

Proposta do Governo foi aprovada com os votos favoráveis do PS, Chega e Iniciativa Liberal.

06 de abril de 2023 às 13:46

A proposta do Governo que isenta de IVA um cabaz de 44 produtos alimentares foi esta quinta-feira aprovada no parlamento com os votos favoráveis do PS, Chega e Iniciativa Liberal.

A medida, cuja entrada em vigor está prevista para 18 de abril, não teve votos contra, tendo o PSD, PCP, BE, PAN e Livre optado por se abster.

As propostas de alteração do PCP, que já tinham sido rejeitadas na especialidade mas que os comunistas avocaram esta quinta-feira para votação em plenário, foram rejeitadas.

A isenção do IVA do cabaz de bens essenciais vai vigorar de 18 de abril a 31 de outubro, sendo que para agilizar o processo e após proposta do PS, os deputados aprovaram por unanimidade a dispensa de redação final.

O texto final da proposta hoje aprovado em votação final global incorpora algumas alterações face à proposta que o Governo remeteu ao parlamento, já que durante a discussão na especialidade, foram aprovadas propostas do BE e PAN que adicionam à lista as bebidas vegetais e uma do PSD sobre os produtos dietéticos destinados à nutrição entérica.

Durante a votação que decorreu esta terça-feira na Comissão de Orçamento e Finanças, o PSD viu ainda ser aprovada uma proposta que adiciona os leites fermentados à categoria dos laticínios.

Já as restantes propostas, apresentadas pelo PCP, BE, PAN, PSD, Chega e Livre foram reprovadas, tendo o PCP avocado para votação hoje em plenário a que contemplava a descida do IVA da energia para 6% e das telecomunicações para 6% e um regime de controlo e redução de preços -- e novamente reprovadas.

Durante o debate que antedeu as votações e em que se ouviram críticas dos vários partidos à medida do Governo, o deputado do PCP Duarte Alves sustentou que esta não tem nenhum mecanismo que garanta a descida dos preços junto do consumidor final.

"Não há certeza que os portugueses venham a beneficiar desta redução", sustentou, por seu lado, Hugo Carneiro, do PSD, criticando a situação "completamente atípica" que é o Governo escolher os produtos que considera essenciais na alimentação.

Pelo PAN, Inês Sousa Real lamentou que o PS tenha travado a inclusão na lista de produtos de proteína vegetal e alimentos para os animais de companhia, enquanto o Livre acusou o Governo de estar na "fezada" de que os preços vão baixar sem incluir na proposta nada que o garanta.

Em resposta às críticas, Hugo Costa, do PS, referiu que "história económica demonstra" que a fixação de preços leva a prateleiras vazias e a défices tarifários e sublinhou as mudanças introduzidas durante a discussão na especialidade.

Pegando na "história económica", Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, fez uma leitura diferente, dizendo que o que esta diz é que "controlar os preços é uma forma de controlar a inflação" e lamentou que o Governo vá "na fezada" e confie que a descida dos preços vai acontecer.

André Ventura, do Chega, também recorreu à "história Económica" para referir que esta mostra que a fixação de preços leva a prateleiras vazias, mas que o controlo de preços não é a mesma coisa que controlo de margens de lucro, tal como o seu partido propôs.

Pelo Livre, João Cotrim Figueiredo, referiu que a lista de produtos, apesar das alterações, continua "arbitrária" e a revelar o cariz "paternalista do Estado".

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