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Parque pago no IPO indigna bombeiros

Filas de meia hora obrigaram no primeiro dia à abertura pontual de cancelas.

27 de abril de 2010 às 00:30

O caos instalou-se no Instituto Português de Oncologia (IPO), em Lisboa, no primeiro dia da entrada em funcionamento do parque de estacionamento pago. As filas obrigaram a um pára-arranca de meia hora para sair do hospital a ponto de, pontualmente, serem levantadas as cancelas.

Estacionar um veículo no IPO é grátis na primeira meia hora. A seguir, custa 45 cêntimos pelos primeiros 15 minutos. O parque com 679 lugares é grátis para funcionários, dadores, agências funerárias e PSP mas não isenta os doentes e as ambulâncias de bombeiros. O pagamento revoltou doentes e bombeiros. Paulo Agostinho, dos Bombeiros de Reguengo Grande, Lourinhã, disse que 'provoca revolta ter de transportar um doente acamado e pelas limitações do estacionamento não o poder deixar no interior do hospital'. Também Rui Gomes, da Assenta, Torres Vedras, referiu que 'é insuportável para os bombeiros ter de pagar 12 euros por dia para aguardar por um doente que faça quimioterapia'. Da Corporação de Torres Vedras, Secção de Maxial, António Ferreira disse que 'não há alternativas sem pagar fora do hospital'. No que classifica de 'uma medida provocatória', Duarte Caldeira, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, pediu uma reunião de urgência no Ministério da Saúde. O responsável entende que os bombeiros não devem pagar até 12 euros por dia para manter as ambulâncias estacionadas no IPO e acrescenta que se a decisão for para manter terão de ser os doentes a suportar o custo.

FUNCIONÁRIOS EVITAM ATRASOS POR OUTRA PORTA

Os funcionários e fornecedores do hospital evitaram ontem as filas de trânsito no IPO recorrendo ao uso em exclusivo do portão lateral, que dá acesso à Praça de Espanha e que está também vedado a ambulâncias sem carácter de urgência. Manuel Oliveira, responsável pela gestão do parque de estacionamento, disse que desta forma está salvaguardado o cumprimento dos horários de trabalho pelos funcionários. O responsável acrescentou que no primeiro dia de parque pago a operação correu bem. 'Pontualmente registou-se um acumular de veículos, mas as cancelas eram abertas para o rápido escoamento', disse. Nesta acção, Manuel Oliveira admitiu que 'podem ter saído viaturas sem pagar'.

DOENTES PERDEM DIREITO A PARQUE GRÁTIS

Os doentes que usufruíam de um cartão de utente do IPO, que lhes permitia ter acesso de forma gratuita ao parque do hospital, são agora obrigados a pagar pelo estacionamento superior a meia hora. Uma decisão que revoltou ontem os doentes, que recusavam pagar para estacionar. Entre os revoltados estava Lídia Águas, que sofre de cancro do pulmão. Viajou desde Sacavém (concelho de Loures) de transportes públicos para evitar pagar o estacionamento. Também Maria Duarte estava indignada com a confusão instalada no hospital. 'Isto está tudo entupido, tenho o meu marido no carro e vim para aqui para pagar. Utilizo este hospital há dez anos porque tenho uma esofagite de refluxo e nunca vi esta confusão para estacionar', disse. Manuel Oliveira, responsável pela gestão do parque de estacionamento, esclareceu que 'o parque possui poucos lugares pelo que às 09h00 os funcionários já não conseguiam estacionar'.

SAIBA MAIS

FRANCISCO GENTIL

Cirurgião, elaborou o Decreto n.º 9333, em 1923, que criou o Instituto Português para o Estudo do Cancro, sendo nomeado para presidente do instituto.

152 reclamações apresentadas por utentes no Instituto Português de Oncologia de Lisboa durante o ano de 2009.

DE LEIRIA AO ALGARVE

A área de influência do IPO de Lisboa estende-se de Leiria ao Algarve e às regiões autónomas da Madeira e Açores.

 

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