Aos jornalistas, declarou ser oriundo de uma família de trabalhadores, adiantando que "uma das grandes sensibilidades" que sempre teve é relativamente à condição salarial dos trabalhadores portugueses.
O patriarca de Lisboa, Rui Valério, defendeu esta terça-feira um "consenso mínimo" para se alcançarem melhores condições para os trabalhadores, humildade nas negociações sobre a reforma laboral e "cedências para se alcançar um bem maior".
"O ideal seria que houvesse, pelo menos, um consenso mínimo, mas sempre em nome do mesmo. E qual é que é esse mesmo que todos nós auguramos, que todos nós almejamos? É, exatamente, melhores condições para os trabalhadores", afirmou Rui Valério, na habitual conferência de imprensa que antecede a peregrinação de 12 e 13 de maio ao Santuário de Fátima, a que vai presidir.
Aos jornalistas, declarou ser oriundo de uma família de trabalhadores, adiantando que "uma das grandes sensibilidades" que sempre teve é relativamente à condição salarial dos trabalhadores portugueses.
"É que ainda hoje eu não compreendo, sinceramente, por que razão um trabalhador, independentemente se é pedreiro, se é mecânico, se é eletricista português, não está no mesmo nível em termos salariais que um pedreiro, um mecânico espanhol, francês, alemão, italiano, por aí afora, quando - eu confirmei agora isso na Córsega, confirmei-o há duas semanas na Itália, confirmei-o há três semanas em França - o nível de vida é semelhante", referiu.
O patriarca de Lisboa confessou mesmo que este é, para si, "um dos grandes mistérios", admitindo ter "ainda grande expectativa de que a lei laboral possa, de alguma maneira, vir responder a essa situação".
Salientando que reza "para que sejam encontradas soluções para que, de facto, Portugal deixe de estar onde está agora", que é de "um país um pouco estagnado", Rui Valério avisou que "a emergência internacional não se compadece com estagnações".
"Temos uma crise no horizonte que vai muito para além das nossas fronteiras e, por isso, (...) eu daqui enviaria um convite que era para nos unirmos, que era para fazermos um passo em nome de um acordo, um acordo global, para que os problemas fossem resolvidos", continuou.
O patriarca considerou ainda que "todas as entidades, todas as perspetivas terão de pronunciar-se sobre aquilo que são os objetivos e, nomeadamente, para a classe trabalhadora, mas não só para a classe trabalhadora, para a própria economia nacional", pois "ela própria depende muito daquilo que vier a ser decidido, daquele caminho que vier a ser trilhado".
Para Rui Valério, "o acordo deveria envolver todas as partes", e todos os parceiros devem ter a humildade de, "através da negociação, haver cedências para se alcançar um bem maior, porque é disto que se trata neste momento".
"Eu volto então a repetir e a enfatizar muito este convite que eu daqui quero lançar para que, num espírito de humildade, mas sobretudo com um interesse não só em relação à classe dos trabalhadores, mas sobretudo à economia e ao bem do nosso país, que haja verdadeiramente aquilo que qualquer negociação exige de todas as partes, que é a humildade de alguém ter de ceder onde é possível ceder ou necessário ceder, mas sempre em nome de um bem maior", insistiu Rui Valério.
Questionado se é legitimo que uma lei laboral seja aprovada sem o acordo mínimo dos representantes dos trabalhadores, Rui Valério respondeu: "Nesse caso, e sendo aprovada essa lei, a pergunta que devemos fazer é em que condições é que depois vai ser posta em prática".
As negociações sobre a reforma laboral terminaram na quinta-feira sem acordo entre o Governo e os parceiros sociais, assumiu a ministra do Trabalho, dizendo que um dos parceiros foi intransigente, mas o executivo quer levar uma iniciativa ao parlamento.
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