Provedor dos Animais de Lisboa mostra, em novo livro, que os animais são mais do que nossos amigos. São os nossos anjos da guarda.
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Pedro Emanuel Paiva tem um livro novo no mercado. ‘Bola Pra Frente (editora Primeiro Capítulo) reúne histórias, qual delas a mais comovente, sobre a forma como é possível ultrapassar limitações físicas e mentais, recuperar de traumas antigos e ganhar autonomia e maior capacidade de enfrentar o dia a dia com a ajuda de amigos de quatro patas. O Provedor Municipal dos Animais de Lisboa (que acaba de ser reconduzido no cargo) tem muito a dizer neste capítulo.
- A ideia acompanha-me há bastante tempo e tem a ver com a minha experiência profissional. Desde 2010 que estou envolvido em projetos de inclusão de animais em contextos terapêuticos e sei que é possível usar os cães para promover melhorias reais e notórias em pessoas com determinado tipo de doenças ou que vivem com dificuldades específicas. À medida que fui tomando conhecimento destas situações, que fui verificando como os animais podem ajudar, à medida que fui testemunhando estas histórias de superação, de esperança, senti que era pertinente partilhar estas histórias. Numa sociedade que valoriza cada vez mais a competição, a velocidade, esquecemo-nos que existe quem precise de algo mais. De mais tempo, de mais atenção. De um apoio extra, que os animais podem proporcionar.
- O coração já mo tinha provado, até pela relação que eu próprio tive com os animais, e muito especialmente com o Tico, o pastor alemão que me acompanhou por mais de dez anos e que me salvou a vida. O meu coração já sabia do benefício que existe, para as pessoas, da relação próxima com os animais. Quando me envolvi nestes projetos com fins terapêuticos, fi-lo para que outros pudessem experimentar aquilo que eu já tinha experimentado. Levar animais a escolas de ensino especial, centros de dia, lares da terceira idade, tribunais, à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens... Sabia que poderia assistir a milagres. Mas não é um caminho fácil de demonstrar e precisamos de ter evidências no nosso lado.
- Sim, é importante trazer para esta discussão a visão académica e científica em torno deste tema. Até porque há sempre um conjunto de especialistas envolvidos nestes processos. Por exemplo, uma criança que tem de ir a tribunal, porque tem uma relação difícil com um dos progenitores… Uma situação dessa natureza tem de envolver um juiz, psicólogos clínicos e forenses, professores e, muitas vezes, até assistentes sociais. O animal é mais um elemento, mais um jogador neste xadrez.
- Sim. Mas é importante que o digam e que sejam ouvidos. Há muitos estudos sobre este tema. Cada vez mais. É preciso divulgá-los e fazer com que cheguem aos responsáveis, aos decisores. Há muito para fazer neste capítulo. Há medidas públicas que é urgente tomar. Esta atividade tem de ser reconhecida, profissionalizada. Por exemplo, quando os professores incluem, nas medidas extra-curriculares, a terapia com animais, isso é muitas vezes visto com desconfiança. Estes estudos, estes depoimentos dos especialistas ajudam a que haja uma aceitação deste tipo de proposta terapêutica.
- Espero mudanças, sim. Que se perceba que os animais conseguem transformar as pessoas, mas são as pessoas que mudam o mundo. A grande mudança que pretendo com este trabalho é que se olhe para esta relação com olhos mais atentos e disponíveis. E que através deste livro, e do contributo dos especialistas que nele escrevem, que se possa influenciar quem toma decisões. Para que a inclusão dos animais nos mais diversos contextos seja, cada vez mais, uma realidade.
- Todas me comovem. Este livro também revela um lado meu mais frágil e vulnerável. Mas a superação das fragilidades é aquilo que nos torna melhores seres humanos. Todas as histórias aqui reunidas, todas as pessoas, contribuem para aquilo que sou hoje. Aprendi muito com elas. Sobretudo que a resiliência e a superação são sempre o caminho.
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