João Marques salientou que "o principal problema são as habitações das pessoas, porque ficaram sem telhado".
O presidente do Município de Pedrógão Grande, no norte do distrito de Leiria, disse esta sexta-feira que o concelho enfrenta "mais uma tragédia", depois dos incêndios florestais de 2017, e apelou a pessoas e empresas para que ajudem.
"Mais uma tragédia em Pedrógão, infelizmente", afirmou à agência Lusa João Marques, numa referência aos incêndios em junho de 2017, que destruíram parcialmente o concelho e provocaram dezenas de mortos.
João Marques disse que "uma parte do Município, nomeadamente a vila", tem "algumas comunicações", e referiu que, através de geradores, há eletricidade na sede do concelho.
"A rede [elétrica] está toda destruída, mas há, através de geradores que foram instalados nos PT [postos de transformação], nomeadamente para garantir o abastecimento de água, porque todos aqueles municípios do norte do distrito de Leiria e a Sertã [Castelo Branco] são abastecidos a partir da Barragem do Cabril", adiantou.
O autarca esclareceu que os serviços municipais estão "a tentar recuperar, a atamancar, é mesmo o termo, para poderem funcionar".
"As principais vias de comunicação estão mais ou menos desobstruídas, embora não limpas, mas a rede secundária não, nem a rede florestal. Isso está tudo inoperacional", alertou.
João Marques salientou que "o principal problema são as habitações das pessoas, porque ficaram sem telhado".
"Não temos plásticos, não temos lonas suficientes, não temos pessoal, não temos empresas em número suficiente para poder ajudar as pessoas, pelo menos a resolver, pontualmente, estas situações. E, com a chuva, claro que os prejuízos são enormes, porque todo o recheio das habitações está a ser completamente degradado", avisou.
O presidente da Câmara adiantou que os munícipes que necessitam de maior apoio foram levados para o pavilhão gimnodesportivo, "porque necessitam, inclusivamente, de algum apoio médico".
João Marques pediu "a todas as empresas da região que possam colaborar com a população, a todas as pessoas que tenham alguma disponibilidade e que possam também colaborar, nomeadamente com as pessoas mais idosas", que o façam.
"Compreendo que isto é geral, mas o Exército, se calhar, no terreno, dava uma grande ajuda, nomeadamente na colocação de lonas. Que pudessem trazer lonas e plásticos, enquanto não se fazem intervenções mais profundas nas habitações, que evitassem maiores estragos às populações", sugeriu ainda.
Os incêndios que deflagraram em junho de 2017 em Pedrógão Grande e que alastraram a concelhos vizinhos provocaram a morte de 66 pessoas, além de ferimentos a 253 populares, sete dos quais graves.
Os fogos destruíram cerca de meio milhar de casas e 50 empresas.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos seis mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00h00 de quarta-feira até às 23h59 de dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.
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